terça-feira, 16 de outubro de 2012

Deriva continental


Deriva continental

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Esse anexo reúne as derivas continentais dos períodos geológicos do fanerozóico.

Índice

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20 milhões de anos

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50 milhões de anos

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90 milhões de anos

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150 milhões de anos

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220 milhões de anos

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260 milhões de anos

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300 milhões de anos

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370 milhões de anos

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430 milhões de anos

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470 milhões de anos

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540 milhões de anos

Eras pré-históricas


Eras pré-históricas

  
PRÉ-CÂMBRIO
O Pré-Cambriano está compreendido entre o aparecimento da Terra há cerca de 4,5 bilhões de anos, até o surgimento de uma larga quantidade de fósseis, que marca o início do período Cambriano da era Paleozóica do éon Fanerozóico, há cerca de 540 milhões de anos.
Sabe-se pouco dos eóns pré-cambrianos, apesar de corresponderem a sete oitavos da vida da Terra, já que as modificações a que a crosta terrestre foi submetida posteriormente dificultam a interpretação dos vestígios deste. A maioria dos conhecimentos atuais deve-se a descobertas efetuadas nas últimas quatro ou cinco décadas. Foi durante o Pré-Cambriano que os eventos mais importantes da história da Terra aconteceram:
   o início do movimento das placas tectônicas;
   o início da vida na Terra;
   o aparecimento das primeiras células eucarióticas;
   a formação da atmosfera,
 
   o apatecimento dos primeiros animais e vegetais.
 
PALEOZÓICA
 
  A seguir veio a era Mesozóica, assinalando-se pelo desenvolvimento dos répteis, que atingiram formas gigantescas. Os foraminíferos, os rudistas, os belemnites e sobretudo as amonitas dominam entre os invertebrados são, com mais freguência, répteis, adaptados aos diversos modos de existência (aéreos, terrestre, marinho). As aves aparecem no jurássico e os mamíferos começam a se diferenciar, embora conservando-se de pequeno porte. Durou aproximadamente 170 milhões de anos.
 
   Período Cambriano durou 70.000.000 de anos à 3.570.000.000 de anos.
   Período Ordoviciano durou 50.000.000 de anos à 3.620.000.000 de anos.
   Período Siluriano durou 50.000.000 de anos à 3.670.000.000 de anos.
   Período Devoniano durou 60.000.000 de anos à 3.730.000.000 de anos.
   Período Carbonífero durou 60.000.000 de anos à 3.790.000.000 de anos.
   Período Permiano durou 50.000.000 de anos à 3.840.000.000 de anos.
 
 
MESOZÓICA
 
 A seguir veio a era Cenozóica, idade dos mamíferos. Nos mares vive uma multidão de foraminíferos (sobretudo numulites); os gastrópodes multiplicam-se e entre os peixes dominam os teleósteos. No meio aéreo, os insetos e os pássaros têm os caracteres atuais. O reino dos mamíferos na terra sucede ao dos répteis. Os símios, muito diversificados, anunciam a próxima aparição do homem. Durou 60 milhões de anos.

   Período Triásico que durou 50.000.000 de anos.
   Período Jurássico que durou 50.000.000 de anos.
   Período Cretáceo que durou 68.000.000 de anos.
 
CENOZÓICA
 
 A seguir veio a Era Antropozóica. Surgem novas espécies (hoje desaparecidas), adaptadas ao frio; rinocerontes lanudos, mamutes. Mas o grande evento é o aparecimento e disseminação do homem, iniciou há 2 milhões de anos. O Plistoceno caracteriza-se pelo resfriamento geral da atmosfera e pela ocorrência sucessiva de quatro períodos glaciais que foram divididos em Épocas Glaciais.
 
   Período Paleoceno que durou 5.000.000 de anos.
   Período Eoceno que durou 20.000.000 de anos.
   Período Oligoceno que durou 11.000.000
   Período Mioceno que durou 12.000.000 de anos.
   Período Plioceno que durou 12.000.000 de anos
 

As 10 maiores grandes extinções da Terra


As 10 maiores grandes extinções da Terra

A vida é uma luta pela sobrevivência. Os animais vivem em constante estresse para obter comida suficiente e estar bem adaptados ao seu ambiente. Animais mal adaptados, em tempos de dificuldades, passam fome, deixam de reproduzir, e, eventualmente, morrem completamente.
Ao longo da história da Terra, a vida constantemente assumiu novas formas. Quando grandes mudanças climáticas ou ambientais ocorreram, muitos animais mal adaptados foram extintos.
As extinções em massa ocorrem quando uma parte substancial da vida na Terra desaparece completamente, deixando nenhum descendente. Esses eventos ocorrem desde quase o primeiro aparecimento da própria vida. Todos os animais vivos hoje são apenas descendentes de criaturas que tiveram a sorte de se adaptar cada vez que seu mundo mudou. Veja os 10 maiores eventos de extinção da história da Terra:
1 – Extinção do final do período Ediacarano
Durante o período Ediacarano, vida complexa começou a se formar pela primeira vez na Terra. Bactérias minúsculas evoluíram para os eucariontes mais complexos e especializados, alguns dos quais agrupados para aumentar suas chances de encontrar comida. A maioria dessas criaturas estranhas não deixou registro porque não tinham esqueletos, eram macios e tendiam a apodrecer quando morriam, em vez de fossilizar. Apenas em circunstâncias peculiares poderiam formar fósseis, como uma criatura deitada na lama mole, que de repente endurecia e deixava uma marca. Estes poucos fósseis nos dizem que os mares eram cheios de criaturas estranhas e alienígenas, que se pareciam com vermes modernos, esponjas e geleias. No entanto, essas criaturas eram dependentes de oxigênio, tal como nós. Os níveis de oxigênio começaram a cair e extinções ocorreram em todo o mundo 542 milhões de anos atrás. Mais de 50% de todas as espécies morreram. A causa exata da diminuição dos níveis de oxigênio é desconhecida. No entanto, esta extinção em massa abriu espaço para a Explosão Cambriana, uma súbita diversificação de criaturas complexas além de meros vermes.
2 – Extinção do Cambriano-Ordoviciano
Durante o período Cambriano, a vida floresceu, diversificou e evoluiu para novas formas. Crustáceos exóticos e trilobitas se tornaram a vida dominante com grandes números e variedades. Moluscos e artrópodes aquáticos gigantes, semelhantes a insetos, encheram os mares. Essas criaturas tinham exoesqueleto rígido, o que deixou muitos fósseis para nós estudarmos. A vida floresceu até que, repentinamente, em termos geológicos, mais de 40% de todas as espécies de repente se tornaram extintas 488 milhões de anos atrás. O que esta mudança foi, nós ainda não sabemos. Uma teoria é que uma glaciação ocorreu, a parte mais fria de uma idade do gelo. Nós desfrutamos de um período interglacial, a parte mais quente de uma idade do gelo, durante os últimos onze mil anos. Uma mudança extrema de temperatura pode facilmente causar a extinção de uma enorme quantidade de vida. Este evento de extinção marcou a fronteira entre os períodos Cambriano e Ordoviciano.
3 – Extinção do Ordoviciano-Siluriano
A vida começou a florescer mais uma vez durante o período Ordoviciano. Nautilóides (polvos primitivos), trilobitas, corais, estrelas do mar, enguias e peixes encheram os mares. As plantas estavam lutando para se firmar na terra. A vida foi gradualmente se tornando mais complexa. 443 milhões de anos atrás, mais de 60% da vida na Terra morreram no que é considerado a segunda maior extinção registrada, causada por uma idade de gelo rápida provocada pela redução dos níveis de dióxido de carbono. Grande parte da água passou a ser calotas polares e geleiras, que por sua vez diminuíram os níveis de oxigênio. Pensa-se que uma explosão de raios gama do espaço destruiu a camada de ozônio e a radiação solar ultravioleta não filtrada, em seguida, destruiu grande parte da vida vegetal, o que causou a queda inicial de dióxido de carbono. Apesar de um pouco de vida ter sobrevivido e continuado, em número de espécies, a Terra levou mais de 300 milhões de anos para se recuperar deste evento.
4 – O evento Lau
Após a extinção do período Ordoviciano, o período Siluriano começou. A vida se recuperou da última extinção em massa e este período foi marcado pelo desenvolvimento de verdadeiros tubarões e peixes ósseos, a maioria dos quais parecia perfeitamente moderna. Plantas pequenas finalmente começaram a crescer livremente em terra ao longo das costas, e alguns artrópodes evoluíram em aranhas e centopeias adaptadas para o ar seco e convivência com as plantas terrestres. Escorpiões marinhos enormes tornaram-se abundantes, e trilobitas continuaram a dominar. 420 milhões de anos atrás, uma mudança climática repentina provocou a extinção de, talvez, 30% de todas as espécies. Os gases da atmosfera mudaram em proporções que muitas criaturas acharam desagradáveis ou tóxicas. A causa desta mudança não é conhecida. A vida lutou até o período Siluriano terminar e o período Devoniano começar, quando a evolução produziu um modelo de vida diferente que prosperou.
5 – Extinção massiva do Devoniano
O período Devoniano foi onde certos peixes evoluíram aletas resistentes que os permitiram rastejar em terra seca, tornando-se animais tais como répteis e anfíbios. Nos mares, recifes de corais enormes estavam cheios de peixes e tubarões, alguns dos quais comiam trilobitas. As trilobitas perderam a posição de criatura dominante do mar pela primeira vez desde que apareceram, mais de 100 milhões de anos antes. Na verdade, os tubarões desta época foram tão bem sucedidos que não precisaram mudar muito e alguns tubarões modernos se parecem quase exatamente com seus antecessores. As plantas terrestres evoluíram sementes e se diversificaram. Plantas terrestres mais complexas se desenvolveram e solo apareceu pela primeira vez na história. Florestas estranhas brotaram fungos de 8 metros de altura que infelizmente já não estão entre nós. 374 milhões de anos atrás, 75% de toda essa vida incrível morreu, devido a uma mudança nos gases atmosféricos, possivelmente por causa de atividade vulcânica maciça ou o impacto de um meteorito.
6 – Colapso das florestas tropicais do período Carbonífero
Após o período de Devoniano veio o período Carbonífero. Os poucos animais terrestres desenvolveram ovos terrestres, que lhes permitiram viver em quase qualquer lugar na Terra em vez de confinados às costas onde eles poderiam colocar seus ovos. Insetos alados apareceram e prosperaram. Tubarões desfrutaram de uma idade de ouro e os poucos trilobitas que sobreviveram tornaram-se cada vez mais raros. Árvores gigantescas apareceram e vastas florestas tropicais cobriram grande parte da terra, aumentando o teor de oxigênio do ar para 35%. Para comparação, hoje 21% do ar é oxigênio. Coníferas do período Carbonífero permanecem quase inalteradas hoje. 305 milhões de anos atrás, uma idade do gelo curta e súbita diminuiu os níveis de dióxido de carbono aos mais baixos da história, e as grandes florestas morreram, além de muitos dos animais terrestres. Cerca de 10% de todas as espécies na Terra desapareceram.
7 – Extinção do Permiano-Triássico
Após as florestas tropicais caírem, os animais mais bem sucedidos deixados em terra foram os que colocavam ovos. Estes rapidamente dominaram o planeta antes de outras espécies terem uma chance de se recuperar e se diversificar, produzindo uma enorme variedade de répteis e sinapsídeos dominantes, que eram répteis semelhantes e ancestrais aos mamíferos. 252 milhões de anos atrás, um desastre que a Terra nunca tinha visto antes (e nunca mais viu) ocorreu. Ele foi causado pelo impacto de um meteorito ou atividade vulcânica, que alterou a composição do ar radicalmente. Entre 90% e 99% de toda a vida se extinguiu. Esta é a maior extinção em massa da história. Para referência, vamos olhar para a extinção de animais causada por seres humanos. Durante o nosso mandato, as estimativas sugerem que nós dizimamos cerca de mil espécies de animais. Existem cerca de 8 milhões de espécies vivas hoje, o que significa que, mesmo de acordo com as estimativas mais pessimistas, acabamos com 0,01% de toda a vida animal. Embora isto não seja nada do que se orgulhar, é infinitesimal quando comparado com as grandes extinções da natureza.
8 – Extinção do Triássico-Jurássico
Após a desolação causada pelo fim do período Permiano, répteis novamente tornaram-se dominantes e os dinossauros apareceram. Os dinossauros não eram dominantes acima de outros répteis, pois nesta fase não eram muito maiores do que os cavalos. Foi de seus descendentes que se desenvolveram as famosas e temíveis criaturas que tão bem conhecemos. Todos os dinossauros maiores, como tiranossauros, tricerátopos, e os gigantes saurópodes de pescoço longo surgiram nos períodos Jurássico ou Cretáceo. 205 milhões de anos atrás, 65% da vida do período Triássico morreram, incluindo todos os animais terrestres de grande porte. Muitos dos dinossauros foram poupados devidos a seu pequeno tamanho. Extinções em massa duram mais de um milhão de anos ou mais, mas esta levou apenas 10 mil anos, e foi provavelmente causada por erupções vulcânicas massivas que expeliram enormes quantidades de dióxido de carbono ou dióxido de enxofre, resultando em mudanças climáticas repentinas.
9 – Extinção do final do período Jurássico
Durante o período Jurássico, répteis marinhos gigantes como o plesiossauro dominaram os oceanos. Pterossauros governaram o céu e os dinossauros dominavam a terra. Coníferas, samambaias e outras plantas formaram florestas exuberantes. Dinossauros desenvolveram penas menores e os pássaros começaram a aparecer. 200 milhões de anos atrás, 20% da vida de repente desapareceu dos registros fósseis, principalmente espécies marinhas. Mariscos e corais haviam sido generalizados, e desapareceram quase completamente. Os poucos que sobreviveram conseguiram repovoar os mares gradualmente ao longo dos próximos milhões de anos. Essa extinção não afetou muito os animais terrestres, e apenas algumas espécies de dinossauros foram perdidas. A causa desta extinção marinha quase exclusiva é uma questão de debate, mas uma possibilidade é que as placas tectônicas oceânicas afundaram um pouco e deixaram os oceanos mais profundos. A maioria da vida marinha era mais adaptada para águas rasas, e pereceram conforme se arrastavam mais e mais longe da superfície.
10 – Extinção do Cretáceo-Terciário
Este é o evento de extinção mais famoso. Após o período Jurássico terminar, os dinossauros continuaram a proliferar e evoluir ao longo do período Cretáceo. Eles se especializaram nas formas que são familiares a muitas crianças hoje. Mais importante, foi apenas durante o período Cretáceo que a vida finalmente se recuperou da extinção do Ordoviciano-Siluriano. O número de espécies finalmente alcançou e, em seguida, excedeu o número do período Ordoviciano, mais de 300 milhões anos depois, pela primeira vez. Os sinapsídeos finalmente desenvolveram-se em pequenos roedores, que foram os primeiros mamíferos verdadeiros. 65 milhões de anos depois, um meteorito enorme impactou a Terra em Chicxulub, no México moderno, rompendo a atmosfera e causando aquecimento global grave, matando 75% de todas as espécies. Este meteorito continha uma alta concentração de irídio, normalmente raro na Terra, e rochas de 65 milhões de anos mostram uma fina camada de irídio deixada pelo impacto. Alguns répteis e mamíferos pequenos estão entre os sobreviventes da extinção. Mamíferos passaram a substituir os dinossauros como animais terrestres dominantes.[Listverse]

Bacias sedimentares brasileiras


Bacias sedimentares brasileirasBacias da margem continental
Bacias da margem continental
Wagner Souza-Lima* & Gilvan Pio Hamsi Junior#
*Fundação Paleontológica Phoenix, Aracaju, Sergipe, Brasil (e-mail: wagnerl@hotmail.com)
#PETROBRAS-UNSEAL-ATEX-LG, Aracaju, Sergipe, Brasil (e-mail: ghamsi@petrobras.com.br)
As bacias marginais brasileiras compartilham, de uma forma geral, grandes semelhanças quanto à evolução tectônica e história do preenchimento sedimentar. Essas semelhanças devem-se à gênese comum, resultante dos processos que culminaram com a ruptura do Gondwana a partir do final do Jurássico (Figura 1).
Analisando-se a sucessão sedimentar das diversas bacias da margem leste e equatorial brasileira, observa-se que o pacote sedimentar existente nessas bacias poderia ser agrupado em seqüências geneticamente correlatas, geograficamente contínuas, relacionadas a estágios evolutivos termo-mecânicos distintos (Figura 2). Com base no estudo dessas seqüências, cinco estágios tectônicos foram diferenciados nessas bacias: sinéclise, pré-riftrift, transicional e deriva1, 2. Desses estágios, os três últimos correspondem àqueles que ocorrem sucessivamente em bacias que evoluem de uma fase rift para uma fase de deriva (margem passiva). Os dois primeiros, sinéclise e pré-rift não ocorrem necessariamente.
Figura 1 - Reconstituição paleogeográfica do Gondwana durante o Valanginiano (Cretáceo, cerca de 140 Ma), mostrando a posição das principais áreas cratônicas, das faixas móveis brasilianas e das bacias paleozóicas que constituem o embasamento sobre o qual instalaram-se as bacias marginais brasileiras.
O estágio de sinéclise corresponde às sucessões sedimentares relacionadas ao preenchimento de grandes depressões, em geral associadas às bacias intracratônicas. A gênese dessas depressões pode estar relacionada a ciclos de desequilíbrio térmico crustal3, sendo, contudo, de origem e evolução complexa. No Brasil, destacam-se as grandes sinéclises paleozóicas das bacias do Amazonas, Parnaíba (Maranhão) e Paraná. Os sedimentos desse estágio, que ocorrem nas bacias marginais brasileiras, correspondem, na verdade, à extensão geográfica dessas sinéclises: assim, os sedimentos de idade paleozóica que ocorrem em algumas dessas bacias são relictos de bacias mais antigas, de idade paleozóica.
O estágio de pré-rift está provavelmente relacionado ao soerguimento crustal resultante do aquecimento induzido pela presença de hotspots no Gondwana central4, embora tenha-se também aproveitado das antigas depressões das sinéclises paleozóicas. A ação desses hotspots auxiliou o enfraquecimento crustal da junção entre as placas sul-americana e africana, causando sua posterior ruptura. O início ou final desse estágio, bem como a intensidade de soerguimento, variou de um local a outro, porém, em geral, ocorreu entre o final do Jurássico e o início do Cretáceo (Berriasiano a Valanginiano; Figura 2).
Associado ao soerguimento crustal ocorreu o desenvolvimento de depressões periféricas que, junto às depressões paleozóicas, atuaram como áreas de captação sedimentar de origem flúvio-lacustre. A sedimentação deste estágio é caracteristicamente composta por sedimentos oxidados, de coloração avermelhada. No Nordeste brasileiro, a sedimentação desse estágio se desenvolveu na Depressão Afro-Brasileira5, que englobava a região hoje ocupada pelas bacias de Sergipe-Alagoas, Camamu e Almada, na costa sul do Estado da Bahia, incluindo também as bacias do Recôncavo, Tucano e Jatobá e suas contrapartes africanas. Os sedimentos da Formação Botucatu, encontrados nas bacias do Paraná e Pelotas6 poderiam também ser interpretados como relacionados à fase de pré-rift dessas bacias.
No estágio rift, a distensão atingiu o limite elástico da crosta e, finalmente, conduziu à ruptura da placa litosférica. Nas bacias da margem leste, o início do rift foi mais ou menos simultâneo, ocorrendo entre o Berriasiano e o Valanginiano (145 - 135Ma, início do Cretáceo), havendo algum retardo localizado (p. ex., na bacia do Jequitinhonha), provavelmente relacionado ao comportamento reológico crustal diferenciado. O avanço da evolução crustal foi, contudo, distinto nas bacias situadas mais ao sul (bacias do Espírito Santo a Pelotas), onde o estiramento crustal esteve associado a vulcanismo basáltico já na fase rift. Nas bacias da margem equatorial, o rifteamento ocorreria mais tarde, entre o Barremiano e o final do Albiano (130 - 100 Ma).
Figura 2 - Distribuição temporal dos diversos estágios evolutivos das bacias marginais brasileiras, assinalando a ocorrência de vulcanismo associado.
Durante o estágio rift, a sedimentação consistiu praticamente na colmatagem da calha gerada pelos falhamentos novos ou reativados pelos esforços distensivos que aconteceram ao longo da atual margem continental brasileira. Essa grande calha era compartimentada em blocos altos (horsts) e baixos (grabens), que condicionaram a sedimentação em seu interior. Os processos predominantes estiveram relacionados a leques aluviais ou subaquosos, controlados principalmente pelas falhas normais das bordas das bacias e sistemas fluviais predominantemente coaxiais, ou seja, acompanhando o eixo longitudinal da estrutura rift.
A evolução da ruptura continental esteve condicionada às direções estruturais impostas pelo arcabouço dos crátons e das faixas móveis que serviram de embasamento às bacias, bem como pelos principais lineamentos e falhas existentes na região. Analisando-se a atual margem continental, nota-se que praticamente todo o litoral leste brasileiro, desde o Rio Grande do Sul até a Bahia, desenvolveu-se condicionado aos alinhamentos derivados da orogenia brasiliana, ocorrida no final do Proterozóico8. O tectonismo de idade eocretácea, conhecido como "Reativação Wealdeniana", foi responsável pela reativação tectônica das estruturas brasilianas, gerando o rift estreito e alongado que ocupou essa área.
A partir da Faixa de Dobramentos Sergipana, as direções estruturais passam a ser transversais àquelas existentes a sul, de modo que a região tornou-se uma área resistente à ruptura norte-sul. Essa região corresponde à Província Borborema, onde destacam-se os lineamentos pré-cambrianos de Pernambuco e de Patos, antigas falhas transcorrentes, cuja continuidade pode ser acompanhada também na África. Essa anisotropia estrutural permitiu, dentre outras coisas, que a região apresentasse uma subsidência muito mais lenta que as regiões adjacentes, limitando ainda a distensão crustal da região, confinando o sistema de riftes da margem oriental brasileira. Além disto, por ser uma área menos adequada à propagação da ruptura, a Província Borborema permaneceu como um dos pontos finais da ruptura crustal entre a placa sul-americana e africana.
rift abortado do Recôncavo-Tucano-Jatobá ilustra bem a atuação das anisotropias estruturais, onde a falha de Ibimirim, componente do lineamento de Pernambuco, constitui o limite norte da bacia de Jatobá, desviando a ruptura norte-sul para leste.
A propagação da ruptura, que ocorreu preferencialmente de sul para norte na margem leste, foi bastante mais complexa na margem equatorial. Nesta região, as principais feições estruturais são paralelas à costa, estando, muitas vezes, relacionadas a falhas de transferência. A rotação diferencial das placas sul-americana e africana, mais rápida a sul, ocasionou compressão e distensão localizada na margem equatorial e interior, causadas pela reativação do complexo sistema nordestino de lineamentos e falhas de direção predominante este-oeste e nordeste-sudeste9. Destes processos resultaram também as diversas bacias interiores do Nordeste do Brasil.
O estágio rift marca o fim da evolução do sistema Recôncavo-Tucano-Jatobá. Embora o rifteamento tivesse sido iniciado no Ber-riasiano (cerca de 145 Ma), as anisotropias estruturais do embasamento presentes naquela região, associadas à dificuldade de propagação dos esforços através dos lineamentos transversais na região da Faixa de Dobramentos Sergipana e da Província Borborema, provavelmente favoreceram a ruptura através de outra trajetória. Assim, a partir do Hauteriviano (cerca de 135 Ma), a ruptura crustal foi iniciada na região da bacia de Sergipe-Alagoas, onde evoluiu de forma mais eficaz, e onde efetivamente ocorreu a separação das placas tectônicas.
Figura 3 - Fisiografia atual da região oceânica exibindo as principais feições topográficas do fundo oceânico. A cadeia Rio Grande-Walvis, hoje descontínua, teve importante papel  no controle da incursão marinha durante o Aptiano.
O progresso da separação entre as placas sul-americana e africana permitiu a entrada intermitente de água marinha no estreito e alongado golfo moldado durante a fase rift. Essa incursão marinha marcou o início do estágio transicional. O influxo de água marinha no golfo do proto-oceano Atlântico esteve controlado por uma importante feição estrutural que hoje estende-se entre o litoral sul do Brasil e a costa da Namíbia, na África: a cadeia de Rio Grande-Walvis (Figura 3 e Figura 4). Esse alto atuou como uma barreira à comunicação efetiva entre o oceano Atlântico Austral e o golfo Brasil-África, de modo que o influxo de água controlado e as altas taxas de evaporação existentes devido ao clima quente então vigente favoreceram a concentração dos sais nesses mares. Permitiu-se o acúmulo de uma espessa seqüência evaporítica, cuja influência foi muito importante para a evolução tectono-sedimentar subseqüente dessas bacias. Esse estágio começou mais cedo também nas bacias da margem leste, ocorrendo predominantemente durante o Aptiano. Nas bacias da margem equatorial ocorreu entre o final do Aptiano e o Cenomaniano. A fase transicional corresponde à diminuição dos falhamentos por distensão crustal, mas taxas de sedimentação ainda altas ocorreram no início desta fase devido à subsidência térmica.
Com o avanço da separação entre as placas sul-americana e africana, a cadeia de Rio Grande-Walvis teve seu papel progressivamente reduzido no controle das incursões marinhas para o golfo, de modo que essa assumiu caráter permanente. Iniciou-se, então, o estágio de deriva continental. Esse estágio foi inicialmente marcado, nas bacias marginais, pelo desenvolvimento de amplas plataformas carbonáticas. O progresso da separação, associado às modificações climáticas induzidas pelo extenso oceano gerado, posteriormente inibiu a gênese e deposição carbonática, de modo que as seqüências sedimentares evoluíram para um sistema predominantemente siliciclástico que persiste até hoje.
Figura 4 - Reconstituição paleogeográfica do Atlântico Sul durante o final do Aptiano, mostrando o controle deposicional pelas principais feições estruturais da época, o alto estrutural do lineamento Pernambuco-Ngaoundéré e a Cadeia Rio Grande-Walvis. Estes controles explicam a ausência de sincronismo entre os estágios evolutivos ocorridos na margem equatorial e na margem leste brasileira.
1Ponte, F. C. & Asmus, H. E. 1976. The Brazilian marginal basins: current state of knowledge. Anais da Academia Brasileira de Ciências48 (suplemento): 215-240.
2Ojeda, H. A. O. 1982. Structural framework, stratigraphy, and evolution of Brazilian marginal basins. The American Association of Petroleum Geologists Bulletin66 (6): 732-749.
3Sleep, N. H. 1971. Thermal effects of the formation of Atlantic continental margins by continental breakup. Geophysical Journal of the Royal Astronomical Society, 24: 325-350.
4Morgan, W. J. 1983. Hotspot tracks and the early rifting of the Atlantic. Tectonophysics, 94: 123-139.
5Estrella, G. O. 1972. O estágio rift nas bacias marginais do Leste Brasileiro. In: Sociedade Brasileira de Geologia, Congresso Brasileiro de Geologia, 26, Belém, Anais3: 29-34.
7Dias, J. L.; Sad, A. R. E.; Fontana, R. L. & Feijó, F. J. 1995. Bacia de Pelotas. Boletim de Geociências da Petrobras, Rio de Janeiro, 8 (11): 235-245 [para o ano de 1994].
8Almeida, F. F. M. de 1971. Geochronological division of the Precambrian of South America. Revista Brasileira de Geociências, 1 (1): 13-21.
9Szatmari, P.; Françolin, J. B.; Zanotto, O. & Wolff, S. 1987. Evolução tectônica da margem equatorial brasileira. Revista Brasileira de Geociências17 (2): 180-188.
Paleo 2002
A Fundação Paleontológica Phoenix e a Sociedade Brasileira de Paleontologia realizaram, em Aracaju, dos dias 16 a 18 de Janeiro de 2003, a 3ª Reunião Anual Regional da Sociedade Brasileira de Paleontologia, a Paleo 2002.
Realizada pela segunda vez em Sergipe, a reunião contou mais uma vez com o importante apoio da PETROBRAS, Unidade de Negócios de Sergipe e Alagoas, que, mobilizando recursos humanos, disponibilizando suas instalações e cedendo transporte para a excursão de campo, contribuiu para o pleno sucesso do evento.
Durante o encontro, foram apresentados trabalhos executados pela equipe da Fundação Paleontológica Phoenix, pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco, Universidade Federal e Estadual do Rio Grande do Norte e Universidade Estadual de Santa Cruz (Bahia). O evento contou ainda com a participação de alunos e professores de biologia e geografia da Universidade Federal de Sergipe, representantes do Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM) de Fortaleza e Crato, Ceará, e técnicos da PETROBRAS.