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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Os descobridores do Novo Mundo: Chineses no Brasil? Vikings na América? Exploradores fenícios?

Os descobridores do Novo Mundo


Liu Gang e o mapa
Chineses no Brasil? Vikings na América? Exploradores fenícios?

No outono de 2001, em uma pequena loja de antiguidades na cidade portuária de Xangai, na China, estava pendurado na parede, entre outras relíquias, um velho mapa-múndi acumula poeira. Os olhos atentos de Liu Gang, um dos mais respeitados advogados corporativos da China e colecionador de antiguidades nas horas vagas, examinando o achado, logo notou algo estranho. O mapa estava coberto de anotações em caracteres chineses e uma delas continha a data em que foi desenhado - 1763. Mais abaixo, lia-se: "O cartógrafo Mo Yi Tong copiou este mapa a partir de um original de 1418". A informação era um contra-senso - pelo menos no que dizia respeito à história que se aprende nas lições escolares. Porque o mapa mostrava, com riqueza de detalhes, as Américas e a Austrália. Ou seja, todo o "Novo Mundo", supostamente descoberto por exploradores europeus a partir de 1492, na aventura de conquista que ficou conhecida como Era dos Descobrimentos.

Liu Gang pagou US$ 500, uma pechincha no mercado de antiguidades chinesas, e levou o mapa para casa. Durante os 3 anos seguintes, ficou se perguntando se o documento não seria uma farsa. Até que um dia leu o livro 1421 - O Ano em Que a China Descobriu o Mundo, do ex-oficial da Marinha britânica e historiador diletante, Gavin Menzies (escrita em 2002, a obra também foi lançada no Brasil). Embora nunca tivesse ouvido falar do mapa de Liu Gang, Menzies defendia uma tese que lhe caía como uma luva. A partir de uma pesquisa feita ao longo de 14 anos em diversas partes domundo, o ex-marinheiro concluiu que aquilo que os historiadores ocidentais diziam há centenas de anos estava errado: foram os chineses os primeiros exploradores a alcançar o Novo Mundo - e isso quando Cristóvão Colombo nem era nascido.

Revelado à comunidade científica em janeiro de 2006, o mapa do honorável Liu Gang incendiou manchetes e controvérsias ao redor do mundo. Para alguns, não passava de farsa; para outros, era mais uma entre muitas chibatadas no velho mito dos descobrimentos europeus. Hoje, evidências arqueológicas comprovam que pelo menos uma parte do Novo Mundo já tinha sido descoberta pelo menos 500 anos antes de Colombo - e isso sem falar nas lendas e documentos que falam de viagens transatlânticas na Antigüidade. Mas antes de se voltar na história e analisar cada uma das possíveis descobertas, recapitule a história oficial, contada pelos cristãos europeus, brancos e "civilizados", que desbravaram e colonizaram o globo entre a metade do século 15 e fins do século 18.

A Idade dos Descobrimentos

Cristóvão Colombo
Até os últimos anos da Idade Média (que acabou em 1453 com a queda de Constantinopla), a geografia era quase um gênero de literatura fantástica. Em sua maioria, os mapas feitos na Europa repetiam as idéias dos antigos gregos e romanos: o mundo era formado por apenas três partes - a Europa, a Ásia e a África - e dois mares navegáveis, o Índico e o Mediterrâneo. Esse era o Velho Mundo, que, bem ou mal, estivera conectado durante 5 mil anos anteriores de história. Fora disso, o que havia era trevas, superstição e dragões assassinos.

A invenção que abriu os mares aos exploradores europeus surgiu por volta de 1430: a caravela, obra-prima de marujos e engenheiros portugueses. Até então, a maior parte das navegações ocorria perto do litoral ou em águas conhecidas e mapeadas de antemão. Singrar oceanos e "águas nunca dantes navegadas" era perigoso demais: os barcos só flutuavam com segurança se estivessem a favor dos ventos e uma súbita mudança na circulação do ar podia causar naufrágios e fazer até o comandante mais exímio perder o rumo. A caravela era projetada exatamente para superar esse obstáculo. Tinha um sistema que rotacionava as velas de acordo com a direção do vento e assim permitia a navegação mesmo quando o ar soprasse na direção contrária.

A primeira grande descoberta da era das caravelas não foi um continente, mas uma apavorante península de rochas, castigada por tempestades e ondas gigantes. Era o Cabo das Tormentas, depois rebatizado de Cabo da Boa Esperança - o último limite no sul da África, onde as águas do Atlântico e do Índico se encontram, que foi desbravado por Bartolomeu Dias em 1487. Estava aberto o caminho marítimo entre a Europa e a Ásia, que logo se tornou uma movimentada rota comercial e deu origem ao primeiro processo de globalização em larga escala.

Pouco a pouco, as sombras nos mapas antigos foram clareadas. Em 1492, o genovês Cristóvão Colombo, a serviço da Espanha, atravessou o Atlântico. Sua missão era fazer a volta ao mundo pelo oeste e chegar à Ásia - já que a rota que contornava a África pelo sul era dominada pelos portugueses. Em vez disso, Colombo deu com suas caravelas nas ilhas do Caribe - na época, ninguém falou em descobrimento, já que o próprio Colombo acreditava ter chegado a algum arquipélago no leste asiático. E, em 1500, como você já ouviu milhares de vezes, Pedro Álvares Cabral deparou "por acaso" com o monte Pascoal, no litoral da Bahia - mero "desvio" no meio de uma viagem cujo destino oficial também eram os reinos opulentos do Extremo Oriente. A Idade dos Descobrimentos continuaria por mais dois séculos: o último grande explorador dos mares foi o britânico James Cook, que descobriu oficialmente a Austrália em 1771.

Tudo isso é o que todos aprendemos na escola - mas pesquisas modernas, muitas delas baseadas em documentos bem antigos, mostram que todas as "descobertas" citadas aqui são verdades relativas. Começando pelo "terra à vista" de 22 de abril de 1500.

Quem descobriu o Brasil?

Pedro Álvares Cabral
Verdade seja dita: nosso ilustre e oficial descobridor, o fidalgo Pedro Álvares Cabral, até 1500, nunca tinha pilotado um navio (os detalhes técnicos da viagem ficaram por conta de seus subordinados). Também há indícios de que não fosse um sujeito dos mais brilhantes. E hoje, quase ninguém acredita que ele tenha sido o primeiro navegador a chegar ao Brasil - e muito menos que ele o tenha feito "por acaso".

O maior concorrente de Cabral ao título de descobridor foi um personagem digno de romances de aventura: o também português Duarte Pacheco Pereira. Ele ficou famoso exercendo uma das profissões mais requisitadas da época, a de cosmógrafo, mistura de geógrafo, matemático e marujo - desenvolveu cálculos que lhe permitiam localizar melhor do que ninguém a posição de longitude da embarcação. Era também um guerreiro famoso pela valentia no campo de batalha, como na ocasião em que derrotou exércitos na Índia comandando um punhado de guerreiros. Celebridade lusa, foi transformado em personagem de Os Lusíadas. Em 1498, o rei dom Manuel encarregou esse marinheiro multifunção de uma missão ultraconfidencial: descobrir se as terras encontradas por Colombo do outro lado do Atlântico faziam mesmo parte da Ásia. Pacheco deveria navegar até a linha de Tordesilhas, fronteira diplomática traçada por portugueses e espanhóis para dividir as terras recém-descobertas - ou ainda por descobrir.

Durante séculos, ninguém soube por onde andou Pacheco. Até que, em 1882, foi publicado em Portugal o Esmeraldo de Situ Orbis, ou Tratado dos Novos Lugares da Terra, obra assinada pelo próprio Pacheco mas desconhecida até então. "No ano de Nosso Senhor de 1498, Vossa Alteza nos mandou descobrir a parte ocidental, passando a grandeza do Mar Oceano, onde é achada e navegada uma vasta terra firme, grandemente povoada", relata o navegante, que diz ter avistado nas praias desconhecidas uma multidão de "gente parda, mas quase branca". "Mar Oceano" era outro nome para o Atlântico e a descrição dos nativos bate com a tribo dos aruaques, que tinham pele parda, mas bem mais clara que a de povos considerados "escuros" pelos europeus na época, como africanos, indianos - mesmo entre os indígenas brasileiros, os aruaques são considerados os que têm a pele mais próxima do branco. Pesquisas arqueológicas feitas nos anos 90 revelaram que a tribo era muito numerosa no século 15, o que explicaria também a menção a "terras grandemente povoadas". Outro detalhe: os aruaques povoavam o litoral do Maranhão, por onde passava o traço invisível do Tratado de Tordesilhas.

A tese de que Pacheco esteve no Brasil em 1498 foi defendida pelo português Jorge Couto em A Construção do Brasil, de 1995 - na época, muitos historiadores reclamaram que a teoria estava baseada em um punhado de frases ambíguas. Ainda hoje, não há 100% de certeza quanto às andanças. "É plausível que Pacheco tenha estado no Brasil antes de Cabral e que a Coroa Portuguesa tenha preferido manter o achado em segredo", diz Leandro Karnal, especialista em História da América Latina, da USP. "Os reis de Portugal mantinham em grande sigilo as navegações. Divulgar rotas marítimas era crime punido com pena de morte".

Outro aventureiro famoso que pode ter lançado âncoras em nossas praias antes de Cabral foi o geógrafo e marujo italiano Américo Vespúcio, que entrou para a história ao desmentir as teorias de seu conterrâneo Colombo. Em 1504, Vespúcio publicou um texto chamado Novus Mundus, garantindo que as terras no oeste do Atlântico não eram parte da Ásia, mas um continente completamente desconhecido - "um novo mundo", como diz o título em latim. Você já deve ter notado que a região foi batizada como América - e não, digamos, Colômbia - em homenagem a Vespúcio, o verdadeiro descobridor do Novo Mundo para seus contemporâneos. Já Colombo jurou até o fim da vida que havia chegado à China ou à Índia - a teimosia arruinou sua carreira e ele morreu pobre, esquecido e amargurado.

O que pouca gente sabe é que o rival de Colombo pode ter desembarcado no Brasil em 1499. Pelo menos, é o que Vespúcio dá a entender em uma de suas cartas - cujo conteúdo é questionado por alguns pesquisadores. Em 27 de junho daquele ano, ele diz ter avistado "uma terra cheia de grandíssimos rios", a 5 graus de longitude sul - ou seja, o litoral do Maranhão. Outra viagem, a dos espanhóis Yanez Pinzón e Diego de Lepe, tem evidências mais sólidas - os dois marujos foram condecorados pelo rei da Espanha por terem "descoberto o Brasil" em janeiro de 1500, dois meses antes de Cabral - empate técnico, portanto. Em abril de 1500, o rei português teria simplesmente decidido tomar posse oficial das terras que muitos já sabiam existir. Um "acaso" bem planejado, portanto.

Todas essas hipóteses datam a descoberta do Brasil em algum momento no fim do século 15. Para o britânico Gavin Menzies, porém, a costa do país havia sido mapeada 80 anos antes. Vamos voltar para o ano 1421, quando a China dominava os mares.

A Armada do Dragão

Almirante Zheng He
No início do século 15, a China era, de longe, a nação mais avançada da Terra: seus exércitos já empunhavam armas de fogo quando ingleses, portugueses e espanhóis ainda se espetavam com lanças e flechas. E o maior contraste entre o avanço da China e o atraso europeu estava na engenharia naval. Por volta de 1400, Zhong Di, o imperador que levou a dinastia Ming ao seu auge econômico, construiu uma frota de 300 ba chuan ou "navios de tesouro" - monstros náuticos com 150 metros de comprimento. Relatos da época dizem que, ao serem lançados ao mar, os navios colossais pareciam uma cidade flutuante. Eram, sem dúvida, as maiores e mais mortíferas embarcações já feitas pelo homem até então.

A armada fantástica fez várias viagens pelo oceano Índico, entre 1400 e 1430. A mais famosa partiu de Nanquim no dia 3 de março de 1421, sob o comando do bravo almirante Zheng He, chinês de família muçulmana e eunuco. Os relatos oficiais dizem que o capitão eunuco navegou pela costa da África e deu meia volta nas proximidades da Tanzânia, no leste do continente. Isso não é pouco: o percurso, de 16 mil quilômetros, é praticamente o dobro da distância entre Brasil e Portugal. Mas, desde 2002, quando lançou o livro 1421..., Gavin Menzies vem divulgando a teoria de que a armada de Zheng He seguiu adiante e contornou o Cabo da Boa Esperança, 60 anos antes que Bartolomeu Dias fizesse o mesmo no sentido contrário. Dali, os chineses teriam se lançado à descoberta do Novo Mundo.

Contornar o cabo não seria um desafio tão grande para o ba chuan. A travessia ali é muito mais uma questão de força do que de jeito - não bastava ser um grande navegador, mas era preciso ter uma embarcação capaz de suportar a força dos ventos e das ondas nas "tormentas". A partir dali, a jornada seria facilitada graças à corrente de Bengala, que sobe pela costa da África, começando no Cabo da Boa Esperança. "O navegante que chegasse ao cabo, vindo do leste, seria levado pela corrente para o norte por 4 800 quilômetros", escreve Menzies. Nessa altura, o navio pegaria carona em outra corrente marítima - a Sul-Equatorial, que faz uma curva para o oeste e desemboca exatamente no norte do Brasil. Menzies calculou que a armada chinesa tenha passado pelo litoral do Maranhão ou de Pernambuco em setembro de 1421. Não há como saber se houve desembarque, mas Menzies apostou que os chineses toparam com os índios brasileiros e inclusive ficaram bem íntimos das índias: pesquisas feitas por geneticistas americanos no ano 2000 encontraram semelhannças entre genes chineses e de tribos do Mato Grosso do Sul. Além disso, sabe-se que tribos da Bacia Amazônica sofrem de uma doença chamada chimbere, que causa marcas concêntricas na pele, parecidas com tatuagens. A doença só ataca pessoas com predisposição genética, é passada de pai para filho, e o único lugar onde a situação se repete é o leste da Ásia - lá, a enfermidade se chama tokelau. "O chimbere sul-americano e o tokelau asiático são provas de que houve contato entre as regiões antes da chegada dos europeus", escreveu o geógrafo francês Max Sorre em A Luta Contra o Meio, ensaio científico publicado em 1967 - bem antes de Menzies começar suas pesquisas.

Depois de espalhar seus genes pelo Brasil, os chineses teriam entrado no Pacífico pelo sul da Argentina. Dali, foi só fazer a volta ao mundo. E ainda, bem no finzinho da viagem, Menzies acreditou que eles desembarcaram na Austrália. Em 1965, exploradores desenterraram um enorme leme de navio, com cerca de 12 metros da altura, no estado australiano de Nova Gales do Sul. "Somente um ba chuan teria um leme tão grande", escreveu Menzies, que também apostou no encontro entre os descobridores chineses e os nativos da Oceania. Tanto os aborígenes da Austrália quanto os maoris, povo que vive na Nova Zelândia, contam lendas sobre um grupo de navegantes, "vestidos em longas túnicas", que teria desembarcado em suas terras antes dos europeus (por sinal, há relatos chineses sugerindo que a Austrália já tinha sido descoberta até antes de 1421).

Mas, se tudo isso aconteceu, então por que Brasil e Austrália não falam mandarim e por que não comemos nossos pratos com a ajuda de pauzinhos? A resposta está no amargo regresso de Zheng He à China em 1423. Zhong Di, patrono das navegações, fora derrubado por uma rebelião - e o novo soberano decidiu que conquistar o mundo estava onerando os cofres imperiais. A marinha chinesa foi praticamente desativada e a maior parte dos documentos relativos à viagem de Zheng He foram queimados pelos censores do novo imperador, que queria desestimular extravagâncias futuras apagando os vestígios das passadas. A China desistiu de conhecer o mundo e decidiu se voltar para dentro, transformando a figura de Zheng He num tabu nacional, representante das tendências expansionistas e contrárias à idéia confuciana de que a China tinha de ficar fechada à influência dos "bárbaros". Abandonadas ao léu, as colônias chinesas no Novo Mundo definharam, e sua memória se perdeu. Pelo menos até agora.

Os navegantes de Odin

Leif Eriksson
A teoria de Menzies não é muito popular entre historiadores profissionais - embora nela tudo se encaixe, as provas concretas para apoiá-la são poucas, frágeis e todas fortemente contestadas por historiadores. Mas, se for verdadeira, preencheria muitas lacunas - entre elas, documentos inexplicáveis como o Planisfério de Fra Mauro, desenhado por um monge italiano em 1459 e que repousa na Biblioteca Nazionale Marciana, em Veneza. Nele, aparece a localização exata do Cabo da Boa Esperança mais de 30 anos antes da descoberta oficial de Bartolomeu Dias. Menzies apostou que o monge cartógrafo copiou uma carta náutica desenhada pela armada de Zheng He no início do século 15.

Entre tantas dúvidas, há alguns consensos. Por exemplo: a primeira descoberta da América aconteceu no século 9, séculos antes da dinastia Ming subir ao poder na China. Era a época em que os vikings, antigos habitantes da Escandinávia, exploravam o litoral da Europa e o norte do Atlântico. A Saga dos Groenlandeses, épico viking escrito por volta do século 13, fala das navegações de Leif Eriksson, que teria partido da Groenlândia por volta de 970 e fundado uma colônia no noroeste do Atlântico - a Vinlândia. Conta a saga que o entreposto foi destruído por ataques dos skraelingar - povo misterioso que "disparava flechas, vestia jaquetas de couro e remava botes cobertos de peles".

A lenda da Vinlândia era bem conhecida na Europa na época dos descobrimentos, mas durante séculos acreditou-se que o relato era pura mitologia - até que, em 1960, um grupo de arqueólogos desenterrou uma fazenda tipicamente viking na província de Newfoundland, no litoral do Canadá. As casas estiveram soterradas por centenas de anos, mas um rigoroso trabalho de recuperação arrancou da terra uma quantidade assombrosa de vestígios. "A estrutura de madeira das construções, com pilastras retangulares, é idêntica à de sítios arqueológicos na Islândia e na Groenlândia - que eram colônias vikings", explica o historiador Johnni Langer, que há anos pesquisa as viagens vikings às Américas. "Também foram encontrados vários objetos de metalurgia, como pregos, alfinetes e fusos de tecelagem. E os indígenas que habitavam a região não trabalhavam o ferro." A datação do carbono 14 (teste químico que determina a idade de peças arqueológicas) revelou que tudo isso foi produzido e construído por volta do ano 1000 - ou seja, a data bate com a história da Saga. E os tais skraelingar são a cara dos indígenas beothuk, que viviam na região nos séculos 10 e 11.

Uma questão permanece em aberto: será que os vikings exploraram o interior do continente ou ficaram só na pequena fazenda no litoral? "Hoje, não resta a menor sombra de dúvida de que os vikings navegaram à América no século 10 e ficaram alguns anos por lá. É uma questão de bom senso: seria estranho se não tivessem explorado terra adentro. Mas, por enquanto, faltam provas", diz Langer.

Fenícios e celtas

Diodorus Siculus
As primeiras navegações confirmadas à América foram mesmo as dos vikings - mas séculos antes de Leif içar suas velas, já circulavam no Velho Mundo lendas sobre grandes terras desconhecidas do outro lado do Atlântico. Contam historiadores antigos que o primeiro povo a procurar esse continente remoto foram os fenícios - os maiores navegadores da Antigüidade, antepassados dos libaneses. Na obra Bibliotheca Historica, escrita no século 1 a.C., o romano Diodorus Siculus conta que o capitão fenício Himilcon singrou o "Oceano Ocidental" por volta de 500 a.C. e chegou a uma "grande terra, fértil e de clima delicioso". A descoberta foi mantida em segredo para evitar que outros povos explorassem o lugar - revelar sua localização era crime punido com a morte.

No início da Idade Média, começaram a circular rumores de que o misterioso país do ocidente era uma espécie de paraíso terreno, imagem do Éden descrito na Bíblia. Entre os celtas da Irlanda, a terra encantada ganhou o nome de Hy Brazil. A palavra céltica Brazil tem origens incertas, mas alguns acreditam que derive do termo fenício "barzil", que significava "ferro" - sabe-se que fenícios e celtas comerciaram na Antigüidade e podem ter trocado vocábulos além de mercadorias. Outros tradutores acham que Brazil vem do celta "bress", raiz da palavra inglesa "bless" - abençoar. A história oficial, como se sabe, conta que nosso país foi batizado em homenagem ao "pau-brasil", a madeira "da cor da brasa" que abundava no litoral do Nordeste e cuja casca dava uma tintura vermelha, usada para tingir as vestes mais luxuosas de Lisboa. Essa versão esquece, claro, que a palavra Brasil é mais antiga que existência da própria língua portuguesa, cujos documentos mais antigos só surgiriam no século 9.

Um descobridor alternativo das Américas pode ter sido um religioso celta em busca do paraíso terrestre: A Navegação de São Brandão, obra escrita na Irlanda por volta do ano 900, conta a história de um monge irlandês que em 556 teria partido pelas águas do Atlântico em um currach - pequeno barco de madeira, coberto de peles e usado por pescadores. Reza a lenda que São Brandão, com uma pequena tripulação de monges-marinheiros, encontrou a fabulosa terra de Hy Brazil, "cheia de bosques e grandes rios recheados de peixes", e voltou à Irlanda para contar a história.

Nenhuma evidência arqueológica confirma que fenícios ou celtas tenham estado no Novo Mundo - mas a chance, segundo alguns pesquisadores, não é de desprezar. "Mesmo na falta de provas definitivas, é ingênuo negar a possibilidade de que povos antigos tenham navegado à América", diz Luiz Galdino, membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, que pesquisa as descobertas alternativas do Novo Mundo há mais de 30 anos. Galdino aponta para a corrente Sul-Equatorial (a mesma que pode ter trazido os chineses ao Brasil) como o caminho mais provável para exploradores antigos. "Os fenícios tinham navios capazes de carregar mais mantimentos que as caravelas portuguesas. Sabemos que eles navegaram pela costa da África até o século 4 a.C. - e, se um de seus barcos tivesse entrado por acaso na corrente Sul-Equatorial, iria diretamente para as praias de Pernambuco", diz Galdino, que planeja lançar um livro sobre "as descobertas do Brasil". "O mesmo caminho pode ter sido seguido porceltas, romanos, árabes. O Brasil e as Américas foram descobertos várias vezes ao longo dos séculos".

Novo Mundo ou fim do mundo?

James Cook
"E Deus quis que o Novo Mundo fosse descoberto pelos reis cristãos e seus vassalos, e que eles aceitassem alegremente o trabalho de converter e conquistar os idólatras. Bendito seja o Senhor!" Assim o espanhol Gonçalo Fernandes de Oviedo descreve o espírito de sua época, na obra Historia General de las Indias e de las Tierras del Mar Oceano, escrita em 1535. Tempo em que os espanhóis invadiam e dominavam as terras descobertas por Colombo, "para maior Glória de Deus". E foram os próprios conquistadores que começaram a transformar sua aventura em história: Oviedo, um fidalgo que veio às Américas para colonizar, foi o primeiro "cronista de Indias" da coroa espanhola - em outras palavras, historiador oficial encarregado de justificar e glorificar a conquista. A "descoberta" foi descrita como uma vontade divina. Os índios eram infiéis sem civilização, como os negros africanos: deviam se converter ou virar escravos.

Cronistas da época também esculpiram a versão de que nenhum outro povo "civilizado" alcançara o Novo Mundo antes dos ibéricos. Não à toa: o dono, claro, era quem chegou primeiro e a ele cabia o direito de ficar rico com isso. O mesmo raciocínio foi adotado uns dois séculos depois pelos colonizadores ingleses da Austrália: embora a ilha já tivesse sido avistada pelos portugueses em 1522, pelos holandeses em 1614 e talvez pelos chineses bem antes disso, o "descobridor oficial" foi o britânico James Cook, que tomou posse da terra em nome da Coroa inglesa. (De todos os possíveis descobridores da Oceania, só os chineses vestiam "longas túnicas", como os misteriosos visitantes das lendas aborígenes e maoris).

No Brasil, a transformação de Pedro Álvares Cabral em herói só ocorreu no século 19. Até então, livros de história mal falavam nele. Em Portugal, também era pouco lembrado: a casa que pertencera à sua família, na cidade de Santarém, ficou abandonada por séculos e chegou a virar um prostíbulo, até ser restaurada em meados do século 20. "Depois da Proclamação da República, em 1889, o país buscava uma identidade nacional, precisava de um herói em suas origens", diz Leandro Karnal, da USP. Colombo também permaneceu nas sombras por séculos e só foi reabilitado em 1866, quando americanos de origem italiana inventaram o Columbus Day, ou Dia de Colombo. O objetivo era sublinhar o papel da Itália na colonização da América - truque ideológico numa época em que os imigrantes italianos eram desprezados e até linchados pela elite anglo-saxã.

Com o tempo, a celebração da "descoberta" foi exportada para a América Central e do Sul e até hoje faz parte de muitos calendários nacionais. É um bom exemplo de história contada pelos vencedores: europeus, brancos e cristãos. Se nossos livros tivessem sido escritos pelos perdedores, talvez todos esses relatos não fossem contados como épicos, mas em tom apocalíptico. No México e no Peru, sacerdotes indígenas decretavam que seus deuses nativos estavam mortos e anunciavam o fim da civilização. O que os "descobertos" pensavam sobre a tal Idade dos Descobrimentos pode ser resumido em um verso, escrito por um poeta indígena do México na aurora do Novo Mundo: "Oh meus filhos, em que tempos detestáveis vocês foram nascer!"

Os primeiros moradores

Fóssil batizado de Luzia
Discutir se foram chineses, vikings ou espanhóis os primeiros a chegar ao Novo Mundo guarda um certo equívoco histórico. Afinal de contas, as Américas já tinham sido descobertas havia pelo menos 15 mil anos - e a Oceania, há cerca de 46 mil! Os pioneiros vieram da Ásia, quando os ancestrais dos portugueses ainda viviam na Pré-História.

Os primeiros australianos, ancestrais do povo que os colonizadores ingleses batizaram de aborígenes, eram caçadores e pescadores de pele escura, originais do Sudeste Asiático. Chegaram à Oceania caminhando - naquela época, havia ligações por terra entre as ilhas do Pacífico e o litoral da Ásia. O que pouca gente sabe é que os primeiros habitantes da América não foram os ancestrais dos nossos índios de pele avermelhada e olhos puxados, mas parentes dos australianos antigos. Em 1999, o arqueólogo brasileiro Walter Neves examinou um crânio feminino encontrado em Minas Gerais e descobriu feições aborígenes (ou "australo-melanésias", para usar o termo científico). O fóssil foi batizado de Luzia e data de 12 mil anos atrás - a primeira brasileira de que se tem notícia. Os tataravôs de Luzia devem ter chegado à América vindos do Sudeste Asiático.

Já os ancestrais dos nossos tupiniquins, dos astecas mexicanos e dos apaches dos EUA só começaram a chegar ao Novo Mundo há 12 mil anos. Vieram da Sibéria, atravessando o estreito de Bering e se espalharam para o sul. Como o interior da América do Norte estava congelado na época, os prototupis teriam navegado até a América Central e, a partir daí, desbravado o interior, chegando até os confins da Terra do Fogo, no extremo sul do continente. Segundo Walter Neves, devem ter entrado em conflito com os australo-melanésios, na disputa por caça e território. "Não se sabe ao certo quando o povo de Luzia foi extinto, mas é possível que alguns poucos ainda existissem na época do descobrimento português".

Como se enfrentava o mar bravio?
Currach
O pequeno barco irlandês feito de madeira era coberto com peles animais e tripulado por até 10 pessoas. Em 1978, um britânico construiu uma réplica do currach e viajou da Irlanda ao Canadá parando nas ilhas do norte do Atlântico.
Knorr
O barco viking era comprido e esguio, com linhas de remos nas laterais e uma única vela. Seu casco deslizava sobre ondas bravias em vez de perfurá-las - um truque de engenharia náutica para driblar as tempestades do norte.
Caravela
Ao contrário de todos os barcos acima, a invenção portuguesa não tinha velas quadradas, mas triangulares. Isso permitia navegar a "barlavento" (quer dizer, na direção contrária aos ventos) com muito mais rapidez e segurança.
Birreme
O navio fenício era a melhor embarcação da Antiguidade. Tinha 2 ou 3 fileiras de remos - daí o nome birreme ou trirreme - e até 35 metros. Foi copiado por gregos e romanos, que o usaram para dominar a navegação no Mediterrâneo.
Ba chuan
O navio chinês foi a mais potente embarcação construída até o século 20. Levava 200 toneladas de carga, o que garantia autonomia de 7 mil quilômetros - o suficiente para cruzar o Atlântico sem paradas.


Histórias oficiais e histórias alternativas


Quem descobriu a América?
Aprende-se: Em 1492, Cristóvão Colombo foi o primeiro navegante a chegar à América.
As outras versões: A grande armada da China imperial teria descoberto a América em 1421. Mas arqueólogos afirmam que vikings aportaram no Canadá por volta do ano 1000. E há relatos de que fenícios descobriram uma "grande terra no Ocidente" por volta de 500 a.C.

Quem dobrou o Cabo da Boa Esperança?
Aprende-se: O navegador português Bartolomeu Dias foi o primeiro navegante a contornar o promotório no sul da África, segundo os relatos oficiais, em 1487.
As outras versões: De novo, a taça seria dos chineses. Gavin Menzies disse que um ba chuan superou as fortes ondas e ventos do cabo cerca de 60 anos antes de Dias realizar a façanha.


Quem descobriu o Brasil?
Aprende-se: Um mero acaso a caminho das Índias. Assim Cabral descobriu o Brasil, em 1500.
As outras versões: Em missão secreta Duarte Pacheco Pereira teria chegado em 1.498. Outros ibéricos a aportar aqui antes de Cabral podem ter sido Américo Vespúcio, Yanez Pinzón e Diego de Lepe. E há quem defenda que chineses não só estiveram aqui, como fizeram filhos com as índias.

Quem descobriu a Austrália?
Aprende-se: Em 1771, o britânico James Cook mapeou a Oceania, então último continente habitado e desconhecido.
As outras versões: O português Cristóvão de Mendonça pode ter passado pela Austrália em 1522 - mas a primeira "descoberta" confirmada foi a do holandês Willem Janszoon, em 1605. Menzies garante que os chineses descobriram tudo em 1421.

Quem contornou o Estreito de Magalhães?
Aprende-se: O nome já entrega a história - a passagem entre o Atlântico e o Pacífico foi encontrada em 1520 pelo português Fernão de Magalhães.
As outras versões: Em 1421, a armada chinesa teria navegado pela costa da América do Sul até a Patagônia e dali seguiu rumo ao Pacífico.

Quem fez a primeira volta ao mundo?
Aprende-se: Após descobrir o estreito que leva seu nome, Magalhães navegou o Pacífico e tornou-se o primeiro europeu a dar a volta no globo. Morreu nas Filipinas, em combates com indígenas.
As outras versões: O circundamento completo da Terra já teria sido feita sob o comando do navegador Zheng He 100 anos antes da expedição de Magalhães.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Descubra a verdadeira história sobre o descobrimento do Brasil

Cabral tomou posse, mas chegou depois. Veja como a busca de um caminho para as Índias trouxe outros navegantes portugueses e espanhóis ao Brasil antes do descobridor oficial

Texto Tarso Araújo | Ilustração Alisson Lima 

Lisboa, 1502. Com a descoberta de um caminho marítimo para as Índias e de uma terra com proporções continentais do outro lado do Atlântico, a capital do reino de Portugal tornara-se um ponto de convergência para espiões de toda a Europa. A cada viagem, os navegantes portugueses entregavam suas anotações a cartógrafos do rei, que consolidavam toda a informação sobre a forma e os caminhos do mundo em mapas cada vez mais completos. Eles eram guardados a 7 chaves em locais como a Casa da Mina e das Índias. A pena de morte para cartógrafos que contrabandeassem mapas não impediu, porém, que o italiano Alberto Cantino conseguisse uma cópia do mapa mais completo que havia do mundo daquela época, uma "carta náutica para as ilhas recentemente encontradas na região das Índias". O espião contratou um personagem misterioso, que teria levado 10 meses para reproduzi-lo, e remeteu a obra ao duque de Ferrara, na Itália. A cópia entrou para a história como o Planisfério de Cantino e serviu de referência para outros mapas europeus do século 16. Com 218 x 102 cm, revelava um mundo nunca visto: grandes partes da Ásia e as terras descobertas por Colombo e Cabral na América. Misteriosamente, a carta também mostra detalhes do litoral norte brasileiro, que até 1502 não fora visitado oficialmente. O que sugere que o mapa foi elaborado com a ajuda de outros navegantes, que teriam chegado ao Brasil antes de Cabral.

Para entender como isso aconteceu, precisamos voltar um pouco mais no tempo, para o início do século 15. Nessa época, os europeus só sabiam navegar em algumas regiões, como o mar Mediterrâneo e as bordas do continente. Além daí, reinava o medo. "Havia desde sempre uma crença em monstros marinhos. Eles também acreditavam que havia zonas do mar em que não se pode navegar porque a água fervia ou porque os navios encalhavam", conta Francisco Domingues, historiador da Universidade de Lisboa, especialista em náutica da Era dos Descobrimentos. Até os mapas tinham coisas imaginárias, como uma misteriosa "Hy Brazil" (veja na página 35). Também havia, é claro, o medo do fim do mundo, que poucos julgavam ser redondo. Muitos navegantes que se aventuravam pelo Mar Oceano, como os portugueses chamavam o Atlântico, iam e não voltavam. Não por acaso, um dos maiores obstáculos à navegação daquela época era chamado de cabo do Medo, ou Bojador, na costa do Saara Ocidental.

Esse cabo e o medo da navegação atlântica começaram a ser vencidos na década de 1430, quando o infante dom Henrique, filho do rei dom João I, passou a incentivar o desenvolvimento da ciência náutica. Sob sua influência, os portugueses desenvolveram uma série de técnicas e de equipamentos que lhes permitiria realizar algumas façanhas. Um dos mais importantes foi a caravela, embarcação que, com duas ou três velas triangulares, podia navegar "à bolina", ziguezagueando "contra o vento". Em 1434, os homens de dom Henrique já haviam superado o cabo do Medo. Com as caravelas, eles foram - e voltaram - muito mais ao sul na costa africana. Na Guiné, nome com que eles chamam toda a costa noroeste da África, fundaram a feitoria de São Jorge da Mina, onde negociavam ouro, escravos, marfim e pimenta-malagueta. No século 15, essa foi a principal fonte de riqueza de Portugal.

Outra grande contribuição dos portugueses foi a navegação astronômica. Graças a um instrumento chamado quadrante - e mais tarde ao astrolábio - foram os primeiros a navegar longe da costa e descobriram que era possível voltar da Guiné mais depressa se contornassem os ventos contrários que sopravam na costa africana. Metendo-se em alto-mar, encontraram e povoaram os arquipélagos de Açores e Cabo Verde. Ninguém tinha tecnologia parecida. Era como se os portugueses fossem capazes de ir à Lua enquanto navegantes de outros países só conseguissem voar do Rio a São Paulo em teco-tecos. Os únicos marinheiros capazes de missões parecidas eram os vizinhos espanhóis.

Novas técnicas de navegação e as riquezas da África já eram suficientes para atrair a cobiça de outros países. E a capacidade marítima de Portugal ganharia ainda mais importância por causa da queda de Constantinopla (1453) e a limitação do comércio com a Ásia. Lisboa tornou-se destino de cartógrafos, astrônomos e navegadores de toda a Europa, interessados em participar da corrida para as Índias - entre eles Cristóvão Colombo, que viveu ali nas décadas de 1470 e 80. Todos os "descobrimentos do Brasil", até o oficial, foram um efeito colateral da busca pela rota para o Oriente.

As Índias ficaram mais próximas dos portugueses em 1488, quando Bartolomeu Dias dobrou o cabo das Tormentas - e o transformou no da Boa Esperança -, no extremo sul da África. A chegada de Colombo à América, 4 anos depois, deu início a uma crise diplomática entre Portugal e Espanha, a patrocinadora de Colombo. A rusga acabaria trazendo ao Brasil navios das duas bandeiras ainda no século 15.

Briga de Tordesilhas

Quando Colombo chegou às ilhas do Caribe, disse ter certeza de estar no Oriente, a um pulo do Cipango (Japão). O problema é que as ilhas, fossem orientais ou não, pertenciam a Portugal, segundo um tratado assinado com o reino de Castela em 1479. A descoberta lançou os dois países numa espécie de guerra fria, com armadas prontas para o combate. Durante dois tensos anos de negociação, dom João 2º, o rei lusitano, insistiu em garantir a soberania sobre o Atlântico Sul, com uma margem de 370 léguas a oeste de Cabo Verde (veja na página ao lado). Seu esforço diplomático garantiu o acerto de Tordesilhas, em 1494, que deixou os castelhanos com as tais Índias Ocidentais e uma grande suspeita: dom João sabia da existência de alguma terra no Atlântico Ocidental, para defender tão obstinadamente seu direito à região onde hoje sabemos que está o Brasil?
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Não há nenhuma evidência de que dom João 2º conhecia terras por aqui. Existem, porém, indícios de que Portugal estava explorando essas bandas desde o regresso de Bartolomeu Dias, em 1489. Um deles são registros de mantimentos, como uma encomenda de mil quintais de biscoitos (pão assado duas vezes, usado como alimento nas viagens), suficiente para abastecer 2 ou 3 caravelas por 2 anos. Outro indício vem de espiões castelhanos, que avistaram a saída de 4 caravelas da ilha da Madeira, em 1493, navegando para Oeste.

Apesar da falta de provas, vários historiadores acreditam que dom João organizou viagens de exploração pelo Atlântico, ao sul e ao Ocidente, para estudar os melhores ventos para chegar ao cabo da Boa Esperança. Só assim os navegantes portugueses teriam descoberto a "volta pelo largo", rota que os fazia passar muito perto do nordeste brasileiro. Será que, nessas viagens, eles teriam visto praias? Não se sabe, é claro, mas no diário de bordo de Vasco da Gama, que em agosto de 1497 fez a volta pelo largo rumo às Índias, está escrito que "achamos muitas aves e, quando veio a noite, elas tiravam contra o sudoeste muito rijas, como aves que iam para terra".

A maior evidência de que dom João sabia ou ao menos suspeitava de terras onde fica o Brasil vem de Cristóvão Colombo. Em sua terceira viagem ao Novo Mundo, iniciada em 1498, Colombo saiu de Cabo Verde, como faziam os portugueses, e seguiu muito mais ao sul do que nas duas anteriores. Em seu diário, escreveu que ia verificar "a intenção del rei dom João de Portugal que dizia que no austro havia terra firme e que por isso teve diferenças com os reis de Castela". Seguindo a pista portuguesa, Colombo de fato topou pela primeira vez com um continente. Continuava achando que tinha chegado ao Cipango. Mas era só a futura Venezuela.

A essa altura, o rei de Portugal já era dom Manuel, o Venturoso. Depois de passar 3 anos adiando uma viagem conjunta de demarcação do meridiano de Tordesilhas, porque era candidato à sucessão do reino de Castela, mudou de planos quando sua esposa espanhola morreu e lhe tirou as chances de unir os reinos. Sabendo da nova viagem de Colombo e imaginado uma disputa sobre os limites de cada reino no Novo Mundo, ele teria enviado uma pequena e secreta expedição para verificar onde, exatamente, passava a linha de Tordesilhas. Essa viagem, comandada por Duarte Pacheco Pereira, teria sido a primeira a visitar o litoral brasileiro, em 1498.

Primeiro português

O Tratado de Tordesilhas tinha alguns problemas de aplicação. Por exemplo, ele não especificava de qual ilha do arquipélago de Cabo Verde as 370 léguas seriam contadas, e não esclarecia qual era o tamanho exato da unidade de medida empregada - cada país calculava a légua de uma maneira, na época. Quando a exploração das novas terras começasse de fato, essas dúvidas certamente causariam polêmica. Logo, era importante conhecer bem a região por onde passava o tal meridiano para não negociar às cegas, quando fosse chegada a hora. Duarte Pacheco tinha vasta experiência em navegação atlântica, determinação de latitudes e longitudes, em viagens de exploração na África e fora consultor técnico das negociações de Tordesilhas, o que fazia dele um homem extremamente preparado para a missão de dom Manuel.

O principal indício da viagem de Duarte Pacheco é um livro que ele escreveu entre 1505 e 1508, chamado Esmeraldo de Situ Orbis, narrando seus serviços prestados ao rei. Nele, Duarte Pacheco diz que dom Manuel lhe encarregara de "descobrir a parte ocidental, passando além a grandeza do Mar Oceano, onde é achada uma tão grande terra firme". Pacheco teria saído da ilha de Santiago, no arquipélago de Cabo Verde, em novembro de 1498 - menos de 6 meses depois de Colombo zarpar do mesmo local. Tomando o rumo sudoeste, seguiu ventos alísios que sopram diretamente para o Brasil. No mesmo mês, avistou terra, dois graus abaixo do Equador. Dali, navegou para oeste, seguindo a corrente das Guianas.

Há poucas dúvidas de que a viagem foi realmente feita e de que ele mesmo a comandou. "O livro era escrito para o rei, sobre missões a serviço do próprio rei. Duarte Pacheco não mentiria", explica o historiador Domingues. Já as dúvidas sobre o real destino de Duarte Pacheco são maiores porque o livro nunca foi impresso, talvez por guardar segredos muito valiosos - mais precisamente uma lista com as coordenadas geográficas de todos os portos descobertos por lusitanos desde o infante dom Henrique. E os manuscritos que restaram, encontrados apenas no século 19, não têm os mapas a que o autor se refere na obra. O texto, no entanto, descreve com minúcias a vegetação e os povos encontrados por Duarte Pacheco em sua missão. No livro A Construção do Brasil, o historiador português Jorge Couto reúne vários indícios de que a tal "grande terra firme" que Pacheco visitou realmente é o Brasil, mais precisamente o trecho compreendido entre o litoral maranhense e o estuário do rio Amazonas.

Outros indícios da viagem de Duarte Pacheco apresentados por Couto são documentos de época e o trabalho de outros historiadores. Um dos mais importantes é o Memorial de la Mejorada, documento castelhano de cerca de 1499, que afirma categoricamente que dom Manuel violou o Tratado de Tordesilhas recém-assinado, enviando expedições que navegaram para oeste do meridiano em áreas da coroa espanhola.

Outro documento importante é o Planisfério de Cantino, do qual tratamos no começo do texto. Ele mostra, em 1502, um golfo chamado de Fremosso, no ponto onde a linha de Tordesilhas passa pelo litoral norte brasileiro. Ora, nem Cabral nem Gaspar de Lemos, que voltou de Porto Seguro para dar notícias do descobrimento em Lisboa, passaram por essa parte do litoral na viagem de 1500. João da Nova, que em 1501 foi às Índias e fez uma escala no cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, tampouco passou por ali. O tal golfo também não apareceria em nenhum outro mapa de origem não portuguesa até 1506. Logo, ele só poderia ter sido identificado em nosso litoral por um navegador português que tenha passado por aqui antes de 1500.

Outros dois estudos do século 20, um português e um inglês, comparam mapas espanhóis e portugueses do século 16 e concluem que o desenho da região do Amazonas dependia da existência de pelo menos "uma expedição lusa por essas paragens, anterior à de Cabral", e que algum português teria subido o rio Amazonas por cerca de 900 km. Para muitos historiadores, Duarte Pacheco foi esse cara. Se foi, por que não foi considerado o descobridor do Brasil? Por um motivo simples: praticamente todas as terras que ele visitou estavam a oeste do meridiano de Tordesilhas e, portanto, pertenciam ao reino de Castela, não ao rei de Portugal.

Embora o tratado obrigasse cada lado a informar ao outro sobre a descoberta de terras na jurisdição do vizinho, nenhum dos dois pretendia dar essa informação de graça ao inimigo. Por isso, inclusive, era importante que a viagem de Duarte Pacheco fosse mantida em segredo. Dom Manuel não sabia, no entanto, que, dentro de muito pouco tempo, alguns súditos de Castela também passariam ali por perto - em mares e terras que pertenciam à sua coroa. E sem guardar segredo. Afinal, como se verá a seguir, os espanhóis viajavam em missão privada, não oficial.

Primeiro espanhol
Aquele ano de 1498 foi intenso. Colombo topou com um continente. Dom Manuel perdeu o direito ao trono de Castela. Duarte Pacheco, ao que tudo indica, chegou ao Brasil. E Vasco da Gama à Índia (apesar de só ter voltado no ano seguinte). Além disso, os reis católicos estavam perdendo sua paciência com seu descobridor genovês. Como combinado antes da viagem, o navegante foi nomeado governador das Índias Ocidentais e explorou as terras descobertas com exclusividade. Só que, mesmo que aquilo fosse o Oriente - como Colombo defendeu até a morte -, ninguém achava especiarias, ouro ou prata ali. Para apressar a exploração do Novo Mundo, os soberanos espanhóis decidiram permitir que empreendedores particulares montassem viagens ao outro lado do Atlântico. Ao saber da notícia, um navegante da cidade de Palos de la Frontera animou-se em organizar sua expedição. Ele havia comandado a caravela Nina na primeira viagem de Colombo, enquanto seu irmão conduzira a Pinta. Juntando seus recursos e alguns empréstimos, montou uma expedição com 4 caravelas e partiu para o Novo Mundo em novembro de 1499. Seu nome era Vicente Yañez Pinzón.

"A primeira menção que se faz a Vicente é de que aos 15 anos percorria a costa catalã com uma caravela, assaltando navios com trigo, para impedir que a cidade passasse fome durante a guerra contra Portugal, entre 1475 e 1479", afirma Julio Izquierdo, historiador da Universidade de Huelva e autor de uma biografia sobre a família Pinzón. Izquierdo explica que Palos, a 50 km de Portugal, era uma espécie de sucursal espanhola da ciência náutica lusitana. "Os portugueses eram, ao mesmo tempo, inimigos e mestres de navegação daquele povo. Na segunda metade do século 15, era a cidade que fornecia marinheiros para o reino de Castela." Os Pinzóns, por sua vez, eram uma das mais renomadas famílias de marinheiros da vila. Não foi por acaso, enfim, que a expedição de Colombo saiu de Palos, com os Pinzóns no comando de 2 das suas 3 naves.

A expedição zarpou de Palos no dia 19 de novembro com uma tripulação muito familiar, com dezenas de amigos e parentes - primos, sobrinhos, tios. O irmão mais velho, Martin Alonso, morrera logo depois de voltar da América, mas o mais novo, Francisco Martin, fora com Colombo na terceira viagem e comandou uma das caravelas na nova missão. As 4 caravelas fizeram uma escala em Cabo Verde e saíram de lá seguindo o vento que soprava para sudoeste - exatamente como teria feito Duarte Pacheco um ano antes.

A pequena esquadra de Pinzón tornou-se a primeira expedição espanhola a cruzar a linha do Equador, o que era um problema, pois, diferentemente dos portugueses, eles ainda não sabiam navegar em alto-mar no Hemisfério Sul. Sem a Estrela Polar, eles simplesmente não tinham referências. Meio perdidos, levados pelo vento e com a ajuda de uma tempestade, eles avistaram terra e desembarcaram no Brasil em 26 de janeiro.

Pinzón e alguns tripulantes gravaram o nome dos reis de Castela em árvores e rochas e, na presença de um escrivão, tomaram posse da terra em nome dos soberanos, batizando-a como Cabo de la Consolación. Registros da época afirmam que o local do desembarque foi o cabo que os portugueses chamariam de Santo Agostinho, que persiste com o mesmo nome, em Pernambuco, embora alguns historiadores defendam que o tal cabo fosse a Ponta de Mucuripe, em Fortaleza. Essa é uma das poucas controvérsias que existem acerca da viagem de Pinzón, pois sua existência e seus passos são muito bem registrados.

A viagem de Duarte Pacheco, como vimos, é um acontecimento não apenas possível mas também muito provável. Ainda assim, não dá para afirmar com certeza que ela aconteceu. Não é o caso da viagem de Pinzón. Tudo o que se passou em sua expedição foi descrito em detalhes por pelo menos dois cronistas, que entrevistaram o comandante e outros tripulantes pessoalmente para publicar os textos um ano depois. Além disso, existe um mapa feito ainda em 1500 pelo navegador espanhol Juan de la Cosa, com detalhes de todo o trecho percorrido por Pinzón.Nele, é possível ler a frase "este cabo foi descoberto por Vicente Yañez", no ponto em que o marinheiro de Palos desembarcou. Historiadores portugueses e espanhóis concordam que ele foi, de fato, o primeiro europeu a chegar ao litoral brasileiro, 3 meses antes de Cabral.

Uma passagem da viagem de Pinzón, no entanto, revela outro enigma sobre as primeiras expedições ao Brasil. Rumando para oeste, o descobridor encontrou o rio Amazonas e passou cerca de dez dias em seu curso, explorando a região. No caminho, as caravelas encontraram um grupo de indígenas. Um grupo armado, dividido em 4 botes, desceu para fazer contato, oferecendo um guizo aos indígenas. Os índios, por sua vez, atraíram os espanhóis com o que os cronistas descrevem como um bastão de ouro. Na tentativa de pegar o "presente", o grupo foi emboscado e seguiu-se uma batalha na qual morreram 8 tripulantes. Como os homens fugiram sem pegar o tal bastão, não se sabe se era mesmo de ouro ou não. O fato é que os índios usaram a isca certa. Como sabiam do interesse desses homens vestidos e barbudos pelo ouro? Será que, antes disso, eles encontraram Duarte Pacheco? Isso jamais saberemos.

A experiência no Amazonas, que Pinzón batizou de Santa María de la Mar Dulce, teve outra consequência para a expedição. Enquanto subia e descia o rio, ela foi ultrapassada pelo grupo de Diego de Lepe. Pois é, Cabral não foi nem o primeiro nem o segundo a chegar, comprovadamente, à costa brasileira. Lepe, primo de Pinzón, saíra da Palos 20 dias depois e empreendeu uma "viagem irmã", chegando ao litoral brasileiro dois meses antes de Cabral.

Ao bater no cabo de Santo Agostinho, Lepe navegou algumas milhas para o sul e voltou, percorrendo em seguida a mesma trajetória de Pinzón. Sua viagem está descrita, ainda que com menos detalhes, pelos mesmos cronistas da época, que também o entrevistaram. Logo, enquanto Pinzón foi o primeiro a percorrer o trecho do cabo de Santo Agostinho ao Amazonas, Lepe é considerado o descobridor do trecho que vai do rio Amazonas até o Essequibo, atual fronteira da Venezuela com a Guiana. Os dois viajantes ainda seguiriam a costa sul-americana até o golfo de Pária, antes de subir ao Caribe e regressar à Europa. Essas regiões, no entanto, já haviam sido navegadas e mapeadas por Colombo e por Juan de la Cosa - aquele mesmo autor do mapa que atesta a viagem de Pinzón. O curioso é que, diferentemente do que aconteceu com Duarte Pacheco, boa parte do litoral que os dois percorreram estava na zona de soberania portuguesa de acordo com o Tratado de Tordesilhas.

Papel de Cabral

Pedro Álvares Cabral saiu de Portugal com destino a Índia em março de 1500. Não há dúvida de que chegou, tomou posse, rezou missa, fincou cruz e deu início ao processo que tornou o Brasil uma colônia portuguesa - e por isso mesmo ficou com a fama de descobridor. A controvérsia sobre sua viagem é se teria chegado por acidente ou intenção, mas até isso não é mais mistério. Sabe-se que, no local em que deveria tomar o rumo leste, os ventos sopravam para esse mesmo lado. Logo, é improvável que tenha vindo para oeste por acidente.

O que se discute é se veio por ordem do rei ou dos conselheiros reais, nobres e comerciantes que discordavam da viagem para a Índia. "Os mercadores privados e a maioria do conselho do rei preferiam a expansão no Atlântico, onde não era necessário entrar em conflito com os muçulmanos e os monopólios reais eram restritos a alguns portos e produtos", explica o historiador Thomaz. "Para o rei, o Brasil constituiria somente uma escala para a Índia, mas para os mercadores privados era a perspectiva de um novo mundo a explorar." Portanto, é bem possível que o fidalgo Cabral tenha resolvido contrariar o rei.

A hipótese poderia explicar o fato de ter sido "esquecido" pelo monarca, que nunca mais o escolheu para qualquer missão em mar ou em terra. Cabral morreu sem glória, sem retrato ou busto de descobridor do Brasil. Os outros descobridores não tiveram melhor sorte. Duarte Pacheco ainda foi tratado com honra por dom Manuel, que lhe deu o comando de uma armada para as Índias e o cargo de governador de São Jorge da Mina - posições muito lucrativas. Com a ascensão de dom João 3º, porém, ele seria perseguido e preso sob a acusação de desvio de ouro. Pinzón faria outra viagem ao Novo Mundo, na qual teria sido o primeiro europeu a encontrar os astecas, no México, mas morreu endividado, em 1514. Da vida de Lepe sabe-se menos ainda. Morreu em Portugal em 1515 e não se tem notícia nem de onde foi enterrado.

Dificilmente saberemos se outras pessoas não teriam chegado ao litoral brasileiro antes desses homens. A história dessas viagens foi preservada em poucos documentos. Quantas outras, de menor importância ou maior segredo, não teriam sido feitas? Quando Martim Afonso de Souza veio para o sul do Brasil, em 1530, encontrou por aqui certo Bacharel de Cananeia, degredado europeu apresentado em diversas crônicas do século 16. Os registros da viagem de Afonso dizem que o Bacharel estava no Brasil havia 30 anos. A maioria dos historiadores defende que ele fora deixado aqui por Gonçalo Coelho, em 1502, mas alguns dizem que isso teria acontecido em 1499, numa suposta expedição de Bartolomeu Dias ao Brasil - de qualquer forma, ele estava justamente onde passava o meridiano de Tordesilhas.

Não há evidências concretas de qualquer outra viagem no Atlântico Sul entre 1488 e 1498. Apesar da falta de provas, provavelmente houve, sim, outras expedições à região. Vasco da Gama percorreu no caminho para a Índia a mesma rota que os velejadores fazem até hoje entre a Europa e o sul da África. Gama teria acertado o melhor caminho, de primeira, por pura sorte? Ou teria feito isso depois de um longo e meticuloso período de viagens de exploração? Domingues arremata: "Essa é uma pergunta que se faz há mais de 100 anos".

A briga pelo desconhecido

Tordesilhas criou a suspeita de que Portugal já sabia da existência do Brasil


O Tratado de Tordesilhas ficou famoso por ter divido, em 1494, um mundo que não se conhecia entre portugueses e espanhóis. O primeiro acordo a fazer isso, no entanto, foi firmado entre os dois países na cidade lusa de Alcáçovas, em 1479, quando a disputa de ambos pelo Mar Oceano começava a se acirrar.

O acordo dividia o Atlântico horizontalmente, com as ilhas descobertas por Colombo na área de soberania lusitana. Por isso, Castela buscou um novo tratado. Dom João 2º recusou as contrapropostas castelhanas de divisão vertical - com linhas a 100, depois a 270 e a 350 léguas a oeste de Cabo Verde - e ameaçou ir à guerra até garantir uma margem de 370 léguas. Por que o monarca português insistiu tanto em 370 léguas? Para os reis católicos, ele já sabia da existência de terras no Atlântico sul. Até hoje, a suspeita nunca foi confirmada, mas, curiosamente, essa raia garantiu a Portugal uma boa parcela do Novo Mundo. E, se não fosse pela persistência de dom João 2º, nunca teria existido o Brasil como o conhecemos hoje.

O segredo da volta pelo largo

Portugueses foram os primeiros a dominar a navegação em alto-mar


No século 14, Portugal era principal potência marítima do mundo. As caravelas foram uma de suas principais invenções, ao lado de equipamentos e cálculos astronômicos, que os permitiam situar-se no mar mesmo longe da costa. Assim, descobriram que no oceano a menor distância entre dois pontos nem sempre é uma reta. Quando iam para o sul, enfrentavam um constante vento para o norte ao passar do Equador, o que tornava a viagem muito lenta. Então, aprenderam a seguir os ventos que existem na zona tropical atlântica. Para ir ao sul da África, seguiam para oeste até onde o vento fazia a curva para então rumar para leste. A ¿volta pelo largo¿ fazia os portugueses passarem raspando pela costa brasileira. Se dom João organizou viagens para conhecer ventos e correntezas do Atlântico Sul após a viagem de Bartolomeu Dias em 1488 e antes de Tordesilhas, é possível que seus exploradores tenham visto indícios de terra - ou até terra mesmo - antes de 1494.
A ilha imaginária
"Brazil", terra mitológica de origem celta, aparecia em mapas da Idade Média


Antes da Era dos Descobrimentos, os europeus tinham várias superstições em relação ao mar aberto. Algumas eram assustadoras, como as de monstros marinhos. Outras eram sedutoras, como as que falavam de Hy Brazil, ilha mitológica e paradisíaca situada em algum lugar do Atlântico. Sua origem provável é uma lenda celta, e ela é mais frequentemente localizada a oeste da Irlanda, um dos lugares onde esse povo viveu. Sua posição, no entanto, mudava a cada 7 anos, ou a cada vez que era avistada, dependendo da versão da lenda. Questões geográficas à parte, essa é a ilha imaginária mais desenhada nos mapas europeus dos séculos 14 e 15. O nome da ilha, a propósito, é uma das dezenas de explicações sobre o batismo de nosso país. O termo "brasil" já era usado desde a Idade Média para madeiras de tinta encontradas na Ásia. Quando os portugueses encontraram uma terra com esse tipo de madeira, a existência de um ilha com nome semelhante em tantos mapas teria ajudado o apelido a emplacar.

Saiba mais

Livro


A Construção do Brasil, Jorge Couto, Forense, 2011

Fonte: http://guiadoestudante.abril.com.br

Os chineses descobriram a América?


  A viagem dos almirantes chineses -
A viagem durou 31 meses, entre março de 1421 e outubro de 1423.

Fonte: http://mundogeo.com/blog/2006/10/30/novo-livro-afirma-que-chines-descobriu-o-brasil-e-autor-diz-que-%E2%80%9Ce-hora-de-fazer-justica%E2%80%9D/


Em 2002, o inglês Gavin Menzies chocou o mundo ao afirmar que uma frota de 300 navios, liderada pelo chinês Zheng He, teria descoberto a América, 70 anos antes de Colombo. Agora, à luz dos indícios que ele apresentou, especialistas do mundo todo discutem se isso seria possível
Está para começar a maior aventura marítima de todos os tempos. O ano é 1405, o cenário, a China da dinastia Ming, época de desenvolvimentos sem precedentes na história do país, que conta, agora, com suficiente conhecimento tecnológico, dinheiro e, é claro, uma ambição sem limites para tornar possível o sonho de navegar mundo afora. O imperador Zhu Di acaba de construir uma frota espantosa: 300 navios capazes de transportar 28 mil homens. No comando, o eunuco Zheng He, um dos principais conselheiros do imperador. Durante os 15 anos seguintes, as velas de seda vermelha seriam vistas no Camboja, Java, Sri Lanka e Índia. Mas a grande viagem ainda estava por vir. Em 1421, a frota partiu para um projeto mais audacioso: atravessar o oceano Índico, costear a África e, se o inglês Gavin Menzies estiver certo, descobrir a América e dar a volta no planeta.
As façanhas de Zheng He não são novidade: sabe-se que de 1405 a 1433 os chineses exploraram todo o oceano Índico, o mar da Arábia e a costa oriental da África. “Escavações no Quênia encontraram restos de porcelanas chinesas do século 15, raras até mesmo na China”, diz o historiador Geoff Wade, da Universidade de Cingapura, um dos maiores especialistas no período Ming. Essas viagens são consideradas, hoje, uma das maiores expedições marítimas de todos os tempos. Em 2002, no entanto, um almirante aposentado da Marinha inglesa e pesquisador naval nas horas vagas, Gavin Menzies, lançou o polêmico 1421 – The Year that China Discovered America, (“1421 – O Ano em que a China Descobriu a América”, editadoem português pela editora portuguesa Dom Quixote), dizendo que os chineses haviam ido bem além do Índico e navegado até a América 70 anos antes de Cristóvão Colombo e dado a volta ao mundo quase um século antes de Fernão de Magalhães.
A comunidade acadêmica internacional concorda que aos chineses de 1421 não faltava tecnologia para fazer grandes viagens pelo mundo. Eles já conheciam a bússola e passeavam pelo Índico desde o século 9. “A tecnologia naval chinesa era incomparavelmente mais avançada que a européia no século 15”, diz o professor Mario Sproviero, da Universidade de São Paulo, especializado em cultura oriental. “Eles possuíam plenas condições de chegar à América.”
Se na época houvesse uma aposta para ver quem chegava à América primeiro, os chineses seriam os favoritos. Segundo a americana Louise Levathes, no livro When China Ruled the Seas (“Quando a China Dominava os Mares”, sem edição brasileira), os chineses conseguiam passar mais tempo no mar e ter tripulações maiores porque tomavam mais precauções que os europeus. “Eles levavam animais vivos como alimento e um navio com água doce para abastecer toda a frota por pelo menos um mês”, diz. Os barcos tinham 120 metros de comprimento e resistiam bem às tempestades em alto-mar. As caravelas européias mediam no máximo 24 metros.
Mas poder não é querer. “Os chineses só navegavam próximo à costa, de onde avistavam portos para desembarcar porcelana, seda e pedras preciosas. Seu negócio era o comércio e não a exploração, muito menos a colonização”, diz Xu Consheng, professor da Universidade de Fuzhou, na China.
Para Menzies, isso é apenas meia verdade. O ponto de partida de sua teoria é um mapa europeu de 1459, feito pelo cartógrafo veneziano Fra Mauro – um dos tesouros de Veneza–, guardado na Biblioteca Nacional Marciana. Para ele, o mapa prova que os chineses já conheciam o lado oeste da África, primeiro passo para atravessar o Atlântico. “Fra Mauro mostra o cabo da Boa Esperança (o ponto extremo sul da África), que o português Bartolomeu Dias só viria a descobrir 30 anos depois”, diz. Mas onde a China entra nessa história? Menzies diz que um pequeno desenho no canto do mapa é um barco chinês, o que demonstraria a origem das informações contidas no mapa. Além disso, ele cita um documento no qual Fra Mauro afirma que baseou seu mapa em uma “fonte confiável” que conhecia a fundo a geografia da época. Para Menzies, essa fonte foi Niccolò de’ Conti, veneziano que viveu em Calicute, na Índia, no início do século 15 e que teria conhecido os chineses da frota de Zheng He. Mas isso não basta para provar uma viagem transatlântica.“A especulação pode fazer sentido, porém não há provas de nada disso”, diz Piero Falchetta, curador da Biblioteca Nacional Marciana. “Mas que o desenho parece um barco chinês, parece.”
“Mesmo que tivessem chegado à costa oeste da África, atravessar o Atlântico não fazia parte das tradições da navegação chinesa”, diz Wade. “Nem da espanhola”, rebate Menzies. Para ele, a rota via Cabo Verde seria a mais lógica. E é ali que ele deposita uma de suas principais esperanças de provar o que diz. “Em 2001, encontramos duas pedras parecidas com as que Zheng He deixava para marcar sua passagem. Elas estão danificadas, mas creio que demonstraremos que suas inscrições são caligrafia chinesa do século 15”, diz Menzies.
No livro, Menzies enumera uma série de indícios que vão de esqueletos pré-históricos, passando pelo DNA de povos pré-colombianos, até um observatório erguido por Zheng He na Flórida, nos Estados Unidos (veja no quadro da página 42). A principal crítica dos especialistas a Menzies tem a ver com seus métodos de dedução. “Ele parte de uma suposição, ou seja, de coisas que poderiam ser do jeito que ele deseja, para realizar suas afirmações”, diz Wang Tianyou, historiador da Universidade de Pequim. “É uma boa história, mas 99% do que li em seu livro não encontra qualquer fundamento documental ou arqueológico”, afirma Geoff Wade. A historiadora inglesa Frances Wood, especialista em cultura chinesa da Biblioteca de Londres, concorda. “É uma seqüência de indícios que Menzies quer transformar em provas”, diz.
Outra dúvida que não quer calar: para a civilização que inventou o papel, a impressão e uma das formas mais antigas de escrita, não haver nenhum documento registrando essa viagem não soa estranho? Menzies explica que, com a morte do imperador Zhu Di, em 1424, desapareceu o interesse pelas navegações. Todos os documentos relativos à façanha de Zheng He ficaram abandonados e por fim, em 1644, quando acabou a dinastia Ming, os imperadores da dinastia Qing decidiram fechar a China para o Ocidente, destruindo as evidências das viagens de Zheng He.
Mas nem tudo foi destruído. “Na China, no Vietnã e no Camboja foram encontrados monumentos de pedra, feitos a mando de Zheng He e de seus capitães, que falam de suas façanhas. Nem uma palavra sobre a viagem transatlântica”, afirma Geoff Wade.
Mas, se no meio acadêmico são raros os que se dispõem a dar ouvidos a Menzies, entre as autoridades chinesas suas teses polêmicas têm público garantido. Querendo tirar o melhor proveito diplomático e político da súbita fama internacional de Zheng He, o governo da China anunciou em julho que prepara para 2005 uma grande festa nos 600 anos da primeira viagem de seu novo herói. Mas a cúpula chinesa crê que seus antepassados deveriam levar os louros pela descoberta da América? Em entrevista por e-mail a Aventuras na História, o representante do Ministério das Comunicações da China, Yang Xiong, disse: “Essa é uma questão que ainda precisa ser muito discutida”.
No momento, o governo chinês parece mais interessado em explorar o aspecto cultural das viagens do século 15, que teriam tido o mérito de aproximar civilizações distantes. “Em vez de ocupar territórios, construir fortalezas e procurar tesouros, Zheng He e seus homens trataram outros países com amizade”, afirma Xu Zuyuan, assessor do Ministério das Comunicações. “Achamos que o legado das viagens de Zheng He para o oeste é que um crescimento pacífico é o resultado inevitável da história da China.”
Para o historiador Xi Congfei, da Universidade de Wuhan, na China, as viagens não eram tão pacíficas. “Cerca de 80% dos homens das frotas eram militares, que tanto serviam de segurança da frota como de modo de intimidação às outras nações”, diz ele. Os chineses pretendiam estabelecer mais rotas comerciais com os países asiáticos e também cobrar impostos de um maior número de nações. Algumas vezes, a coerção era tão grande que acabava em sangue. Foi o que aconteceu na Sumatra, em 1407, quando os homens de Zheng He mataram 5 mil pessoas em violento combate marítimo. “Nem todos os governantes aceitavam as condições impostas pela China. É um engano pensar que as expedições tivessem apenas aspectos amistosos e culturais”, diz Wade.
Para Gavin Menzies, se o caminho iniciado pelo imperador Zhu Di tivesse sido levado adiante pelos líderes que se seguiram, é provável que a China tivesse se tornado uma potência colonialista. “Mas, na época em que ocorreu, os chineses não tinham projeto de ocupar e explorar outras terras e pouco impacto provocavam por onde passavam, onde não ficavam por períodos maiores que algumas semanas”, diz Menzies.
E no Brasil? No Brasil, nem isso. Não há indícios da passagem dos chineses por aqui. “Mesmo que os chineses tivessem estado no Brasil antes de Colombo, as conseqüências disso seriam quase nulas”, diz Menzies. Os portugueses, depois de chegarem ao Brasil, criaram um sistema de colonização para abastecer Portugal de cana-de-açúcar e gerar renda. A partir daí, começaram o povoamento. “Os chineses nem sequer sonhavam com um empreendimento do gênero.”
Para Mario Sproviero, quer tenham sido os chineses, quer outro povo qualquer, o que conta é a chegada dos europeus no século 16, porque eles desenvolveram um projeto para a América. “Mas a curiosidade do homem vai mais longe, e como a descoberta da América em parte permanece um mistério, não vamos sossegar enquanto não soubermos bem mais sobre esse assunto”, diz o historiador Geoff Wade. Para Gavin Menzies e outros interessados no tema, é apenas o início de uma grande aventura – tão emocionante quanto a de Zheng He e de sua poderosa frota, que permanecem vivos na memória de ambos os lados do Atlântico.

A grande viagem

As rotas que, segundo Menzies, Zheng He e seus amigos seguiram
Descobrindo a América
A frota se dividiu ao deixar o porto de Sumatra, no Índico. Foi a esquadra comandada por Zhou Wen que, depois de contornar a África e aportar em Cabo Verde, teria chegado à América, onde hoje fica a ilha de Guadalupe. Depois teriam feito a rota inversa para casa
Antártida
Comandados por Hong Bao, cerca de 30 barcos se separaram da frota principal em Cabo Verde, chegando à América do Sul (onde hoje é a Guiana) e costeando o Brasil até a Patagônia. De lá, Antártida e Austrália, antes de chegar a Pequim
Pertinho do Pólo Norte
Depois de contornar os Estados Unidos, parte da frota comandada por Zhou Wen teria navegado entre as geleiras da Groenlândia e do Círculo Polar Ártico, dado uma passadinha no Japão e sido a última a voltar
Estreito “Man”
Zhou Man comandou a esquadra que teria chegado ao Pacífico pelo estreito de Magalhães, uma das rotas marítimas mais perigosas do mundo. Sua frota teria navegado ainda na Oceania e estado na costa da Califórnia e México

Quem chegou primeiro?

Na Escandinávia, as crianças aprendem que o descobridor da América foi Leif Ericson, um norueguês que chegou ao Canadá no século 11. Lá ele é um herói com direito a estátua em praça pública e retrato nos livros escolares.
O livro A História da Islândia, de Ari, o Aprendiz (1067-1148), já fazia menção a uma tal Wineland, uma próspera colônia do outro lado do mar gelado. Em 1965, na ilha de Anse aux Meadows, no Canadá, arqueólogos encontraram um conjunto de construções e artefatos do século 11, indícios da presença viking na América.
Os livros escolares em Portugal também mudaram os capítulos referentes à descoberta do Brasil. Em 1998, o historiador português Jorge Couto, da Universidade de Lisboa, publicou Construção do Brasil, onde afirma que quem descobriu o Brasil não foi Cabral, mas Duarte Pacheco. Segundo Couto, em 1498, dom Manuel I mandou que Pacheco navegasse ao sul da rota de Colombo para ver se encontrava alguma coisa. Partindo de Cabo Verde, ele encontrou, sim: o norte do Brasil.
“Em Portugal, os principais historiadores não têm dúvidas de que Duarte Pacheco chegou ao Brasil antes de Cabral”, diz José Manoel Garcia, pesquisador do Centro de Estudos Históricos da Faculdade de Letras de Lisboa.
No século 20, surgiram várias teorias sobre quem teria chegado primeiro à América do Sul. Nos anos 50, o antropólogo norueguês Thor Heyderdahl afirmou que moradores da ilha de Páscoa, vindos da Polinésia, teriam colonizado o Peru, por volta do ano 800. Ainda hoje são feitas pesquisas na ilha da Páscoa e no Peru para tentar comprovar a tese.

Diz-que-diz

As principais evidências de Menzies versus a opinião dos especialistas
Mapa de Fra Mauro
Menzies diz que o mapa – que mostra o cabo da Boa Esperança, 30 anos antes de sua primeira circunavegação – baseia-se nas informações de Niccolò de‘ Conti, que repassou a Mauro os conhecimentos chineses. O museólogo italiano Piero Falchetta, que pesquisa o documento há 25 anos, diz que não é possível comprovar essa teoria. Mas diz: “Como Fra Mauro soube da existência do cabo da Boa Esperança continua sendo um mistério”.
Trinta ou 3 mil?
Zheng He erguia monumentos relatando suas viagens, nas principais cidades da China. Em um deles ele menciona, segundo Menzies, ter visitado 3 mil lugares. De acordo com o lingüista chinês Wu Luming, do museu de Taincang, na China, Menzies se confundiu na tradução. “Na verdade, está escrito que ele foi a 30 lugares. A grafia da época confunde”, diz. Gol contra.
Zoológico estranho
Mamíferos que só existiam na Patagônia, como o milodon, hoje extinto, aparecem no livro Registros Ilustrados Chineses de Países Estranhos, de 1430. Darwin encontrou um esqueleto do milodon em uma praia da Patagônia em 1834 e o levou para Londres, onde foi remontado e ficou famoso. “Não há explicação para o fato de o milodon aparecer no livro chinês. Ele poderia existir também na China, mas nunca foram descobertos ossos do bicho por lá”, afirma o historiador chinês Xi Congfei. Ponto para Menzies.
Garranchos
Duas pedras seculares com inscrições que estavam parcialmente enterradas em Cabo Verde estão sendo estudadas, a pedido de Menzies, que afirma se tratar de escrita chinesa. Porém, os especialistas contratados pelo próprio Menzies dizem que as inscrições estão muito apagadas e até agora não puderam decifrá-las.
Entrou água
Menzies alega que uma formação rochosa submersa próximo à costa das Bahamas, no Caribe, foi um porto chinês no século 15. As rochas formam dois corredores paralelos da praia até 400 metros mar adentro. John Gifford, especialista em ciências marítimas da Universidade de Miami, diz que são formações naturais. “Pesquisamos essas rochas há 30 anos e jamais encontramos indícios de atividade humana. Publicamos em 1980 um estudo sobre os eventos geológicos responsáveis por essas formações, que saiu até na National Geographic. Talvez o senhor Menzies tenha tomado conhecimento dele”, diz Gifford.
Mundo da lua
Um antigo observatório em Newport, em Rhode Island, teria sido construído pelos chineses. Menzies não tem nenhuma prova e só diz isso porque era “típico dos navegadores chineses erguer observatórios estelares para auxiliá-los na navegação”. Segundo John Gifford, a construção é comprovadamente obra dos espanhóis. “As plantas do prédio ainda existem e pertencem ao Museu Naval de Newport”, diz. Menzies admitiu tirar essa afirmação da próxima edição de seu livro.

Saiba mais

Livros
1421 – The Year China Discovered America Gavin Menzies, Harper Collins, 2002 - Íntegra das teses de Menzies. Algumas refutadas por especialistas serão retiradas nas próximas edições
When China Ruled the Seas, Louise Levathes, Oxford University Press, 1996 - Jornalista americana, que colaborou durante 10 anos para a National Geographic, faz um saboroso relato sobre as viagens de Zheng He. Nada sobre a viagem para a América

Fonte: http://guiadoestudante.abril.com.br