quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Luta Por Moradia em São Paulo
Moradores cobram esclarecimentos e atendimento habitacional do Consórcio Santa Bárbara
Ontem, dia 20 de julho de 2010, moradores se organizaram numa luta contra os despejos truculentos realizados durante a semana passada na Favela Vila Rubi. Cerca de 17 casas já foram demolidas e outras famílias resistiram ao despejo, apesar de terem a estrutura de suas casas abaladas pela força dos tratores.
Além da violência habitual do Estado contra a população pobre, o processo foi bastante irregular: muitos moradores tiveram suas casas marcadas, mas não receberam nem assinaram notificação de despejo, algumas famílias foram removidas sem receber nem ao menos o contrato de bolsa-aluguel que outras famílias receberam. Ainda assim, o contrato não apresenta garantias de continuidade do “benefício”.
Moradores ainda relataram a diferença nos valores do auxílio oferecido para cada família, o que poderia provocar desunião e confronto entre os moradores. Em resposta a esta estratégia de divisão da comunidade, eles exigiam que a negociação passasse a ser feita coletivamente e as informações transmitidas diante de toda a comunidade, e não individualmente.
Não aceitando estes desrespeitos , o povo se uniu numa manifestação pacífica em frente ao canteiro de obras do consórcio Santa Bárbara, empreiteira responsável pelas obras contratada pela SEHAB da Prefeitura de São Paulo. Os responsáveis presentes – assistentes sociais e engenheiro – se recusaram a dar um atendimento coletivo e dar informações básicas sobre o processo de despejos na favela, dentre elas, o motivo dos despejos, o projeto que pretendem realizar, a quantidade de moradores que pretendem remover, etc.
O povo não aceitará esse tipo de atitude dos poderes públicos. As famílias resistem e exigem seu direito à moradia. A luta continua.
Fonte: Rede Extremo Sul
Moradores da Vila Rubi seguem mobilizados
Moradores da Vila Rubi seguem mobilizados e prometem resistir às remoções
Por volta das 19h30 de ontem, 28 de julho, os moradores que resistem às remoções ilegais promovidas pela Prefeitura de São Paulo e pelo Consórcio Santa Bárbara projetaram o vídeo Vila Rubi Luta, que documenta a mobilização que eles fizeram na semana passada no canteiro de obras da empresa. Na ocasião, eles exigiam que algum representante das obras apresentasse com mais transparência, a toda comunidade, qual é projeto que eles têm para o bairro e o quê teriam para oferecer em contrapartida àquelas pessoas que terão de abandonar as suas casas. Como era de se esperar, não ouve esta atenção nem por parte da empreiteira e nem por parte da Prefeitura.
Logo depois do filme, junto com outros moradores de outra parte da comunidade, que temem que a onda de remoção também os atinja logo logo, as famílias trocaram idéias e pensaram os próximos passos que deverão seguir.
Veja abaixo o vídeo
Vila Rubi Luta:


Vila Rubi Luta from cocaialuta on Vimeo.
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Fotos da projeção do vídeo e da conversa entre os moradores:
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Significado da Bandeira do Movinento dos Sem Terras (MST)
ocor vermelha: representa o sangue que corre em nossas veias e a disposição de lutar pela Reforma Agrária e pela transformação da sociedade.Eleições não apontam mudanças profundas
HISTORICAMENTE, na luta de classes, os trabalhadores desenvolveram táticas e ferramentas para acumular forças no embate com a burguesia. As greves, ocupações de terras e as eleições são parte deste repertório coletivo que foi construído, cada qual conforme sua realidade, sua força e capacidade organizativa.No caso das eleições, é indiscutível que ela foi a ferramenta para onde se canalizaram processos anteriores de mobilização e que resultaram em conquistas nas experiências chilenas e mais recentemente na Bolívia, Equador e Venezuela.
No Brasil, mais uma vez estamos em um ano eleitoral. Entretanto, como vivemos um período prolongado de descenso na luta e na organização de massas, não há força e organização acumulada que transborde para uma disputa entre classes e que possa resultar em avanços para a classe trabalhadora.
Pelo contrário, sem lutas de massas e organizações populares fortes, a eleição se torna um processo onde o povo não é sujeito, mas espectador de programas eleitorais e debates da chamada “pequena política”, aquela que não mexe com os graves problemas estruturais e sociais do país. Novamente, sem as lutas de massas estamos órfãos de um debate em torno de um projeto popular para o país, em torno das verdadeiras transformações que deveriam ser feitas para melhorar a vida de cada trabalhador.
Neste quadro de poucas conquistas e mobilizações, muitos setores de esquerda perderam esta perspectiva estratégica e passaram a se contentar apenas com o jogo eleitoral, satisfeitos em realizar pequenas mudanças, políticas de compensação ou assistenciais ou ainda de não enfrentarem poderosos grupos econômicos transnacionais, em especial o setor ligado ao capital financeiro internacional, que utiliza os financiamentos de campanha para fazer valer seus interesses econômicos.
Protagonismo e mobilização
No conjunto dos movimentos sociais do campo organizados na Via Campesina, temos debatido há alguns anos este tema. É consenso entre as nossas organizações que é importante eleger o maior número de deputados progressistas, favoráveis à Reforma Agrária e a um outro modelo de desenvolvimento para agricultura, inclusive para contrapor a bancada ruralistas no Congresso, uma das principais ferramentas da criminalização dos nossos movimentos. Por outro lado, compreendemos que as estruturas e a militância das nossas organizações não devem ser colocadas a serviço do processo eleitoral, uma vez que nossa tarefa principal segue sendo a organização dos camponeses e a mobilização para a luta.Entendemos também que na disputa presidencial não há interesse em pautar a Reforma Agrária ou em enfrentar o poder do agronegócio, o braço do capital financeiro no campo, e que mesmo em setores mais a esquerda, não foi possível superar a fragmentação e a falta de unidade que marcam estes momentos de descenso. Não se tratam de nomes, mas de projetos realmente capazes de aglutinar e mobilizar a esquerda brasileira.
Entretanto, é evidente que a candidatura José Serra representa um projeto de retomada acentuada das privatizações, de aprofundamento do agronegócio e da criminalização aos movimentos sociais, além da subordinação total aos Estados Unidos na política externa, inviabilizando articulações de integração latino-americana.
Ainda, num esforço de que a campanha não seja meramente torneio de promessas ou disputa entre cabos eleitorais pagos, que substituem as antigas militâncias dos partidos, buscamos politizar este momento político e apresentar uma plataforma de medidas estruturais e emergenciais que consideramos fundamentais para construir um outro modelo agrícola. É com este documento que queremos debater, não com os candidatos, mas com o conjunto da sociedade neste período.
Desta forma, compreendemos que a energia da nossa militância deve ser direcionada para o esforço de construir novas táticas de luta, adequadas a um momento histórico de reascenso, sem rebaixar nossos objetivos estratégicos; de fortalecer a organização, a formação política e o trabalho de base. Não se trata de ignorar o processo eleitoral ou estar isolado dos debates conjunturais, mas de compreender que as mudanças necessárias só são possíveis com protagonismo e mobilização que vai além de marcar um nome na urna eleitoral.
Fonte: http://www.mst.org.br/node/10333