quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A juventude e a luta de classe


A reestruturação produtiva do capital, principalmente com a intensificação do uso tecnológico, internacionalização da produção e do consumo, traz importantes transformações para o mundo do trabalho. E essas mudanças e inovações não têm sido favoráveis aos trabalhadores. Pelo contrário. Tem-se intensificado a exploração dos trabalhadores ocupados e ampliado o número de pessoas que ainda cumprirá a função de ser um exército industrial de reserva a ser incluído, (in)formalmente, segundo os ditames do capital.
Essa dinâmica atual de exploração do capitalismo tem imposto à classe trabalhadora três processos combinados de readequação à vida. O primeiro é a precarização das condições de trabalho dentro e fora do ambiente laboral. Em segundo lugar, a luta pela sobrevivência está atrelada ao sistema de créditos e financiamentos, advinda dos salários cada vez mais contraídos. E, por fim, a dificuldade de organização fora do local de trabalho, dada a jornada de trabalho exaustiva.
Neste contexto, a juventude vem sendo a principal vítima das tensões próprias do processo de dominação do capital contra o trabalho. Segundo o último relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), dos 620 milhões de jovens que compõem a população economicamente ativa (PEA), em idade de 15 a 24 anos, 81 milhões estavam desempregados em 2009. Ou seja, aproximadamente 13,1% da população mundial jovem está fora do mercado de trabalho.
O fato é que a juventude vive dilemas próprios do atual modelo de desenvolvimento das forças produtivas e das relações sociais de produção do século 21. Um modelo no qual o capital concentra parte expressiva das riquezas de diversos territórios nacionais, em seu processo de consolidação da expansão mundial coordenada por poucos e fortes conglomerados financeiros-econômicos mundiais.
Essa concentração traz para dentro das nações uma vulnerabilidade sem precedentes – coloca ainda mais em xeque a soberania nacional – e torna marginal uma parcela da classe trabalhadora. Os jovens que estão sendo preparados para ocupar uma posição no mundo da sobrevivência, não encontrarão uma inserção imediata no mercado. A alternativa do próprio capital, frente à dinâmica de roubo do tempo dos que estão empregados e o aumento da preparação dos que estão desempregados, é a de instituir o critério do empreendedorismo.
O empreendedorismo é a manifestação clara da perversidade da ação do capital sobre o trabalho, enquanto técnica, ação, formação do imaginário coletivo desse grupo. Dessa forma, se transfere, novamente, para o indivíduo uma situação coletiva, relacionada com toda a sociedade. Além disso, é a forma propagandista de ocultamento da real condição do trabalho frente às metamorfoses geradas no seio do desenvolvimento das forças produtivas capitalistas, ao longo de seu caminhar histórico.
No empreendedorismo, se ratifica a individualização da formação da consciência desde e para o trabalho, em que homens e mulheres jovens, na concorrência pela sobrevivência, manifestem sua capacidade criativa-inventiva, propondo algo (inovador ou necessário) que possa ser rapidamente absorvido pelo mercado consumidor/produtor de bens e serviços.
Dentro da juventude, outros grupos, como mulheres, negros e índios vivem essas contradições para toda a classe e de forma particular para a juventude, de forma ainda mais intensa. Mas, para o capitalismo, é oportuna essa fragmentação para a seleção de diferentes grupos no âmbito formal da exploração. Assim, à exploração do trabalho, se somam as classificações por grupos de idade, de gênero e de etnia-raça com o fim de diferenciar. Com isso, podem lucrar com as múltiplas funções colocadas a cada um de maneira individual no processo produtivo. Jovens mulheres têm um acesso menor que jovens homens e entre esses, jovens brancos, uma inserção maior que jovens negros e índios.
Além disso, a concepção de globalização como algo comum e igual cai por terra quando comparamos a inserção no mercado de trabalho dentro das nações a partir das diferenças regionais e nacionais. Jovens dos países centrais terão uma inserção, na disputa dentro de seus territórios, maior que jovens de nacionalidades periféricas. Esses estarão projetados para trabalhos de menor importância, desde que não haja crise e uma diminuição ainda mais intensa dos postos formais de trabalho com maior qualificação.
A verdade é que a juventude pobre, da classe trabalhadora urbana, não tem espaço nesse modelo de dominação do capital financeiro e internacionalizado. Nem nos países chamados ricos, como na Europa, onde o desemprego atinge até 40% da juventude. E a primeira década deste século evidencia não só a revolução do capital e sua acentuação sobre o trabalho – que está cada vez mais condicionado e reduzido à lógica dominante atual –, mas a formação da consciência sobre o futuro da nação.
Frente a esse cenário, somente se abrirá uma perspectiva de futuro com organização da juventude. Para isso, é preciso desenvolver consciência de classe e motivá-los para que se mobilizem, lutem. Mas, como a maioria está fora do mercado de trabalho, temos que desenvolver novas formas de atuação política que os ajudem a debater, a se aglutinar. Assim, descobrirão que é preciso construir um outro modelo de sociedade. E, juntos, construiremos um “outro mundo possível”.
Fonte: http://www.brasildefato.com.br

sábado, 21 de agosto de 2010

Manifesto: Grito do Excluídos

Onde estão nossos direitos?

Mais uma vez estamos num ano eleitoral e às vezes o povo imagina que só assim as mudanças virão. No entanto sabemos que só a luta muda a vida, temos a necessidade de debater um projeto popular que vise a construção de uma sociedade fraterna e solidária. Sabemos que esse projeto não será obra de nenhum "salvador da pátria", até por que vimos que afirmar ser democrático e popular não é nenhuma garantia de ser de fato. Embora estejamos numa democracia, vemos uma crescente criminalização do movimento social e sindical combativo. Exemplo dessa política no estado de São Paulo foi o tratamento dado aos servidores públicos na educação e no judiciário durante seus movimentos grevistas.


E a cidade como vai?

Na cidade de São Paulo aumenta a criminalização da pobreza, a expulsão do povo da rua da região central, o desemprego, a falta de perspectiva da juventude pobre, sobretudo negra, que é duramente perseguida e muitas vezes exterminada em nossas periferias. Lembrando que esse quadro tende a agravar-se nos próximos anos com o ufanismo do “eu te amo meu Brasil” embalado por copa do mundo e olimpíadas. Outro ataque contra o povo foi a mudança de horário das feiras - livres imposta pela prefeitura, com a redução, que antes era das 5 às 15hs para 7hs30min às 13hs. Essa medida que a principio atinge os feirantes, prejudica muito os pobres, pois sabemos das chamadas ofertas de "fim de feira". Essa medida acaba beneficiando os grandes hipermercados que agora funcionam de domingo a domingo.

Reforma agrária e urbana!

Segundo dados do IBGE, nos últimos anos a concentração de terras aumentou. As propriedades com mais de 1000 hectares controlam 43% de todas as terras no Brasil (e em sua maioria tem sua produção voltada para a exportação: soja, cana, eucalipto; é o chamado agronegócio) e as propriedades com menos de 10 hectares tem apenas 2,7% das mesmas terras (embora estas se dediquem a produção de alimentos básicos através da agricultura familiar). Só para termos uma idéia, 1 hectare de terra equivale a mais ou menos um campo de futebol. Teremos em setembro a realização de mais um plebiscito popular, este sobre o limite da propriedade rural, já que, como vimos o Brasil é um dos países mais desiguais e injustos nesse sentido. Enquanto milhões de pessoas vivem em condições precárias, morando em favelas, cortiços e áreas de risco; temos só na cidade de São Paulo cerca de 500 mil imóveis fechados. Por isso também defendemos uma ampla reforma urbana.

Todos ao Grito dos Excluídos!

Sendo assim, mais uma vez no dia da proclamação da Independência, iremos dar nosso grito pela soberania nacional e contra a exclusão social, pela nação que queremos, uma nação que respeite e garanta o direito de todos e da natureza.

Vamos juntos construir um grande grito contra a exclusão social em São Paulo, o povo sofrido desta cidade tem muito o que denunciar e também anunciar a sociedade que queremos, com justiça e igualdade. Converse com seus amigos no bairro, na escola e no trabalho, convide - os a participar.

Assinaturas na ordem:
Fórum das Pastorais Sociais e CEBS da Arquidiocese de São Paulo;

CSP CONLUTAS;

Intersindical;

MTST;

Uneafro;

Sefras / Justiça e Paz Integridade da Criação;

Romaria à Pé;

CIMI – SP;

JOC;

Fórum de Luta dos Trabalhadores Desempregados;
]
Movimento Nacional da População de Rua;

Tribunal Popular;

Fórum das ONGS;

Padres Oblatos de Maria Imaculada.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Crianças sem creche no Grajaú

O vídeo documenta a situação de crianças e mães que estão padecendo com o fechamento de 8 instituições de educação infantil na região do Grajaú. Há meses nessa situação, as mães entrevistadas fazem um chamado à união e à luta, para conseguir uma solução definitiva e imediata para o problema.

Crianças sem creche no Grajaú from rede extremo sul on Vimeo.



Enquanto o vídeo carrega, leia o texto abaixo)

Sem creche para os filhos, mães do Grajáu vão à luta

Recentemente, um conjunto de mulheres, cujos filhos há meses perderam suas vagas em creches, escreveu uma carta-aberta denunciando uma situação absurda e injustificável. Falavam em mais de 1400 crianças que ficaram sem atendimento educacional depois do fechamento de 8 instituições de ensino só na região do Grajaú, como conseqüência do rompimento de um convênio entre o centro gestor dessas instituições e a Prefeitura de São Paulo. Contavam também do sofrimento de mães que perderam os empregos dos quais tinham necessidade, por não ter com quem deixar suas crianças, e não conseguir pagar uma creche privada. Denunciavam as injustiças cometidas contra mais de 200 funcionárias que não receberam devidamente seus salários e seus direitos trabalhistas. E lembravam as mais de 5000 crianças que já se encontravam privadas do direito à creche na região.

A denúncia que essas mães fizeram é bastante reveladora.

Há tempos o significado da educação infantil para as classes populares praticamente não é discutido. Aparentemente o acesso à educação é um direito alcançado, uma vez que as estatísticas mostram um crescimento relevante no número de vagas. No entanto, sabemos que o direito à educação foi objeto de muita luta e, no caso da educação infantil, dos esforços de mil mulheres trabalhadoras que batalharam por isso em conjunto com trabalhadores da educação comprometidos com o povo e com as mudanças sociais. Os acontecimentos recentes da região do Grajaú mostram que essa batalha está longe de ter sido ganha, e que é urgente retomar o caráter popular das lutas sociais por educação.

Numa conjuntura cada vez mais conservadora, aos poucos se foi transformando o sentido das conquistas populares; no caso, o acesso e a qualidade dos serviços educacionais passaram a ser tratadas de modo empresarial, com parcerias entre setores públicos e privados para maior “produtividade” e “eficiência” do atendimento educacional. A privatização da gestão da educação, que tem como linha de frente os tais “convênios” com instituições privadas para gerir recursos públicos e administrar unidades educacionais, foi o modo encontrado para concretizar tais estratégias. Mas, como já era sabido e se evidenciou ainda mais neste caso, esse modo compromete e nega o acesso a um direito básico, pois a gestão e a responsabilidade pela educação infantil ficam inteiramente à mercê do funcionamento e da relação de institutos privados com a burocracia municipal da educação, ou seja, adquirem um caráter opressivo e anti-popular.

Essa calamidade na educação é uma das facetas da tragédia que o Estado e o grande capital promovem nas periferias, contra a população pobre. Falando especificamente da região do Grajaú, outra faceta é a do transporte, já que depois de um dia inteiro de trabalho somos obrigados a andar quilômetros até nossas casas, por causa do congestionamento. As políticas de despejo em massa é ainda outra faceta, que revela que nesse mundo a vida e a dignidade das pessoas nada significam; basta ser lucrativo, que milhares de famílias são criminalizadas e expulsas de suas casas a troco de um cheque-despejo travestido de bolsa-aluguel.

Infelizmente essa lista poderia continuar por muitas linhas. Mas não devemos fazer disso motivos para desespero, e sim alimento de nossa indignação, de nossa revolta, de nosso ódio contra as opressões e os opressores, de onde extraímos a força para lutar. Do mesmo modo como estão fazendo algumas poucas mães do Grajaú, que resolveram arregaçar as mangas e passar de casa em casa convencendo suas iguais a deixar de lado o conformismo, e a correr atrás do atendimento educacional para suas crianças, mostrando que o povo pobre não aceita, nem aceitará desaforo de ninguém.
Nesse sentido, a Rede Extremo Sul apóia e está junto nessa luta.

sábado, 14 de agosto de 2010

Campanha Justiça Eleitoral

PAPEL DO PRESIDENTE


PAPEL DO GOVERNADOR


PAPEL DO SENADOR


PAPEL DOS DEPUTADOS


PAPEL DOS DEPUTADOS ESTADUAIS E MUNICIPAIS (DISTRITAIS) TRE