terça-feira, 14 de junho de 2011

O NOSSO VULCÃO-PROBLEMA


Depois de entrar em erupção no Chile, o Puyehue cobre boa parte da Argentina com seus detritos e gera caos nos aeroportos de cinco países. Somente no Brasil, foram mais de 200 voos cancelados.

Da “Isto É”:


“Em seis dias de atividade do vulcão Puyehue, no sul do Chile, os voos cancelados nos aeroportos brasileiros passavam de 200, conforme balanço da Infraero. A nuvem de cinzas expelida pelo vulcão a altura de 12 quilômetros foi carregada pelo vento nas direções leste e nordeste (veja quadro ao final). Partículas foram detectadas no Rio Grande do Sul na terça-feira 7, e aeroportos do Brasil, Chile, Argentina, Paraguai e Uruguai foram fechados, num raio de até 2,3 mil quilômetros de distância da cratera. Mais uma vez, a natureza demonstra força e nos coloca à sua mercê.


Composta de gases tóxicos e partículas de sílica, material semelhante ao vidro, as cinzas podem facilmente danificar os aviões comerciais. Caso entrem nas turbinas das aeronaves, o risco é de que o material derreta e impeça o funcionamento dos motores. Além disso, de acordo com o ‘Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes da Aeronáutica’ (CENIPA), a nuvem pode prejudicar a visibilidade dos pilotos durante o voo. Em nota, a instituição esclareceu que está monitorando o avanço das cinzas junto ao escritório argentino da organização internacional ‘Volcanic Ash Advisory Centers’, responsável pelo acompanhamento desse tipo de situação.


Segundo o professor Antonio José Ranalli Nardy, especialista em rochas vulcânicas da Universidade Estadual Paulista (UNESP), a distância percorrida pelas cinzas está ligada às características do Puyehue. “
Esse vulcão é do tipo explosivo. Gera coluna de fumaça que pode chegar facilmente a 20 quilômetros de altura. Como são pouco densas, essas partículas são carregadas pelo vento em qualquer direção”, explica.


O episódio lembra os ocorridos na Islândia em abril de 2010 e no mês passado. Na última ocorrência, o Grimsvötn, vulcão mais ativo do país, cuspiu cinzas durante nove dias, gerando interdições parciais em aeroportos do Reino Unido, da Alemanha, Dinamarca e Islândia. No ano passado, o Eyjafjöll foi responsável pela maior interdição do espaço aéreo já ocorrida na Europa. Mais de 100 mil voos foram cancelados, afetando mais de oito milhões de pessoas.

Voltando à América Latina, apesar de a fumaça continuar se espalhando, a atividade do vulcão diminuiu de intensidade já na quarta-feira 8. Mesmo assim, ainda não é possível prever o fim da história. “
A erupção pode durar meses ou até anos, embora isso seja raro. O que sabemos pela história do Puyehue é que se trata de estrutura explosiva e perigosa”, afirma a vulcanóloga brasileira a serviço da NASA, Dra. Rosaly Lopes.

Os vulcões classificados como explosivos estão entre os mais nocivos do mundo, pois podem soltar grandes quantidades de material flamejante de uma só vez. Apesar disso, os especialistas acreditam que os impactos do Puyehue sejam pequenos se comparados a outros eventos históricos. “
Essa erupção tem índice de explosão 3 em escala de 0 a 8. Outras, como a de 18 de maio de 1980, do Monte Santa Helena (nos EUA), e a de 1883 do Krakatoa (na Ilha de Java), atingiram índice 6”, compara Nardy. Mesmo assim, o nível 3 de atividade vulcânica já foi suficiente para causar prejuízos a cinco países. O que prova que, quando o assunto são os fenômenos naturais, pouco importa se a batata quente está com o país vizinho."


FONTE: reportagem de Larissa Veloso publicada na revista “Isto É” desta semana e transcrita no portal da FAB (http://www.fab.mil.br/portal/capa/index.php?datan=13/06/2011&page=mostra_notimpol).
Republicação de:http://democraciapolitica.blogspot.com

terça-feira, 17 de maio de 2011

Planeta fora do Sistema Solar é potencialmente habitável, diz estudo



Esquema com temperaturas no planeta; áreas em azul são mais frias e em vermelho, quentes
Esquema com temperaturas no planeta; áreas em azul são mais frias e em vermelho, quentes

Um dos planetas que gira ao redor da estrela anã vermelha Gliese poderia ser habitável, segundo um novo estudo científico. O Gliese 581d, como é conhecido, teria clima propício para a existência de água em estado líquido e também para abrigar vida.

A afirmação, feita em comunicado na segunda-feira (16), vem do CNRS (Centro Nacional de Pesquisas Científicas), que classifica o 581d como o "primeiro planeta potencialmente habitável".

Quando detectado em 2007, o 581d indicava que não poderia ser habitável por ser frio demais.

Esse exoplaneta, que orbita uma estrela pouco quente, uma anã-vermelha, recebe três vezes menos energia, se comparada à que a Terra recebe do Sol. Também é possível que tenha sempre a mesma face voltada para a sua estrela, enquanto a outra permanece em eterna escuridão.

Apesar dessas desvantagens, o 581d poderia se beneficiar de um "efeito estufa", afirma o CNRS, que tornaria seu clima quente o suficiente para permitir a formação de oceanos, nuvens e chuva.

Segundo os cientistas, o exoplaneta poderia inclusive evitar a condensação de sua atmosfera na face noturna.

A equipe dos cientistas Robin Wordworth e François Forget, do LMD (Laboratório de Meteorologia Dinâmica), que pertence ao Instituto Pierre Simon Laplace de Paris, baseou sua simulação em modelos que costumam ser usados para estudar o clima terrestre. Para chegar às conclusões sobre o 581d, a margem de condições possíveis foi ampliada.

Detalhes da pesquisa constam na revista científica "The Astrophysical Journal Letters".

Fonte: Jornal Folha de São Paulo

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Um mistério chamado força da gravidade


Comprovar a existência das ondas gravitacionais abrirá uma nova e surpreendente janela para o universo e levará o homem a realidades e conquistas ainda inimagináveis


Por Zamali Dória



NASA/AFP

Muitos conhecimentos sobre o universo têm sido obtidos a partir do estudo de radiações eletromagnéticas, mas em determinados casos, como eventos em buracos negros (abaixo), os dados coletados não se mostram suficientemente seguros em termos científicos.

De todas as forças do universo, a gravidade é aquela que se estuda há mais tempo e, paradoxalmente, a menos conhecida. Qualquer aluno que tenha estudado um pouco de física lembra-se da história de Galileu soltando bolas de chumbo, madeira e papel do alto da torre de Pisa, na Itália, na tentativa de entender como agia essa força estranha que atrai as coisas em direção ao centro da Terra. Bem antes, Aristóteles havia proposto que isso ocorria por nosso planeta ser o centro do universo, o lugar onde, pela própria natureza, as coisas deveriam estar. Quando surgiu o heliocentrismo, com Copérnico, o enfoque mudou e tornou-se necessária a revisão das leis sobre a queda dos corpos. Mais tarde, novas observações e teorias levaram à lei da gravitação universal formulada por Isaac Newton.
O grande passo seguinte só foi dado quase três séculos depois, graças a Albert Einstein, com sua Teoria Geral da Relatividade, de 1916 - trabalho pelo qual recebeu o Nobel de Física em 1921. As ondas gravitacionais são filhas naturais da teoria da gravitação proposta por Einstein, mas só existem no papel. De onde vêm e qual é sua importância são perguntas ainda sem resposta comprovada, já que nunca foram detectadas.

Segundo Einstein, planetas e estrelas curvam o espaço à sua volta pelo simples fato de estarem ali presentes - por seguirem a curvatura do espaço é que corpos celestes giram, gravitam em torno uns dos outros, como a Terra ao redor do Sol e a Lua em volta da Terra. Imagine então a ocorrência de um evento violento, como a explosão de uma estrela massiva que chegou ao fim da vida - uma supernova. Ou a fusão de duas estrelas de nêutrons, astros particularmente densos, ou de dois buracos negros com seu poder esmagador. Acontecimentos dessa magnitude provocam poderosas acelerações da matéria que interferem no campo gravitacional em volta. São como uma pedra jogada na água: formam ondulações, deformando o espaço. Se o pensamento é correto, poderemos detectar essas ondas no momento em que atingem a Terra após terem viajado até nós à velocidade da luz.
Durante muito tempo astrônomos duvidaram da existência das ondas gravitacionais. Desde a década de 1960, porém, físicos se empenham em provar que elas existem, confiando em que a Teoria Geral da Relatividade esteja correta, já que só tem colecionado acertos. Sua comprovação seria como abrir uma porta especial para o conhecimento do universo, que tem sido estudado por radiações eletromagnéticas, ou luz, com bandas de radiação diferentes, como de rádio, raios gama, raios X, ultravioleta e infravermelhos. Ocorre que radiações eletromagnéticas não são suficientemente seguras para nos dar determinadas informações. É o caso de eventos em buracos negros, pois eles não deixam a luz escapar. Já as ondas gravitacionais cruzam o espaço sem sofrer alterações e podem chegar até nós com dados desconhecidos sobre fenômenos do universo. Os mais otimistas anteveem até a possibilidade de observar um "fóssil", a desconhecida radiação gravitacional gerada pelo Big Bang. Estaríamos inaugurando um novo tipo de astronomia, como nunca antes se imaginou.

Extrema sensibilidade

INFN Photo/AFP


Cientista trabalha no interior do observatório Virgo, na Itália (visto do alto na foto da página à direita). Ao lado do Ligo, norte-americano, e do Geo, alemão, ele está na linha de frente do estudo sobre as ondas gravitacionais.

As ondas gravitacionais, muito mais fracas que as eletromagnéticas, são dificílimas de detectar. O instrumental utilizado para isso é de extrema sensibilidade e qualquer evento, como o som de um avião nos arredores, pode produzir sinais capazes de confundir os pesquisadores. O problema é que tudo, ou quase, é mais forte que uma onda gravitacional. Em 2007, o Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro Laser (Ligo), aparelho norte-americano de captação de ondas gravitacionais, juntou-se aos europeus Virgo (franco-italiano) e Geo (alemão), bem como aos observatórios espaciais Lisa e Lagos, num esforço de observação. Espera-se ampliar a chance de detecção, que hoje não passa de apenas uma por ano.
Virgo, construído na cidade italiana de Cascina, na Toscana, perto de Pisa, onde Galileu fez suas experiências sobre gravidade, é um imenso interferômetro de ondas gravitacionais. Tem produzido dados de qualidade comparável aos de Ligo e Geo. O observatório é formado por um laser cujo facho de luz se divide e percorre os dois gigantescos braços de Virgo, de 3 quilômetros de comprimento, colocados em ângulo reto.

No interior dos túneis abrigados nos braços de Virgo, em um ambiente próximo ao vácuo, os raios lasers alinhados, de alta potência, são refletidos por múltiplos espelhos e percorrem incessantemente os espaços, indo e voltando.

O objetivo dos físicos é detectar uma ínfima defasagem entre os lasers, o que indicaria uma variação no comprimento dos braços, já que, teoricamente, a passagem de ondas gravitacionais deve alongar um dos braços e contrair o outro. Tal acontecimento indicaria que alguma onda gravitacional estaria atravessando o dispositivo. Espera-se que o sistema acuse o evento com uma precisão de um bilionésimo de átomo.

Um longo caminho

A construção de Virgo exigiu cuidados especiais. É uma das áreas mais planas da Itália, o que é bom. Mas há o inconveniente da instabilidade do solo, como resultado da retirada constante de água destinada à agricultura. Basta lembrar a torre de Pisa para ter uma ideia do problema.

Os túneis de Virgo deslocam-se até um milímetro por mês em alguns pontos, exigindo fiscalização regular e a compensação imediata de qualquer desvio. Os espelhos foram fabricados em Lyon (França), num laboratório especialmente criado para isso, e sua refletividade é das maiores do mundo - aproximadamente 99,995%. Cada túnel é protegido por um sistema de isolamento sísmico superespecial, que preserva os espelhos dos movimentos do solo e de grande parte das vibrações ambientais. A aparelhagem é tão sensível que pode até mesmo parar de funcionar se houver fortes vibrações. É tão complicado que os dirigentes até pensam em suspender a vigilância noturna, feita de carro, para não perturbar o sistema. Ruídos e vibrações afetam a pesquisa e torna-se muito difícil isolar um sinal possivelmente significativo da grande quantidade de sinais parasitas. Seria como tentar ouvir um sussurro perto de uma banda de rock estridente.

Na sala de controle, técnicos monitoram os acontecimentos nas telas dos computadores. Atualmente, a chance de detectar uma onda gravitacional é rara: apenas uma por ano. E detectar algo que possivelmente seja um evento dessa natureza deve ser confirmado com análises do CD de dados, cujos resultados poderão demorar meses a sair. Acontecimentos de vulto podem ser mais fáceis de registrar. O jeito é esperar pela oportunidade de ocorrer uma fusão de estrelas de nêutrons bem próxima da Terra, com sinal muito forte, e avaliar o que será registrado nas horas seguintes. Tudo fica ainda mais difícil, como os físicos já observaram, aperfeiçoando seus modelos teóricos, porque estrelas agonizantes enviam bem menos ondas gravitacionais do que se pensava. Eles reconhecem que estão longe de surpreender uma supernova em vias de explodir, perto ou longe da Via Láctea.

É de se louvar esse esforço técnico-científico, diante da possibilidade de ampliar e modificar o conhecimento atual muito além do sonhado. Trata-se não apenas de ver os astros, como na astronomia ótica, ou de entendê-los, como na radioastronomia. A astronomia gravitacional colocará em nossas mãos a inimaginável beleza de "sentir" os astros, como se ganhássemos, assim, uma percepção extra. É esperar para ver.

Um mistério chamado força da gravidade
Comprovar a existência das ondas gravitacionais abrirá uma nova e surpreendente janela para o universo e levará o homem a realidades e conquistas ainda inimagináveis

Glossário da pesquisa gravitacional

Lei da gravitação universal -
Diz que dois objetos se atraem gravitacionalmente por meio de uma força que é proporcional à massa de cada um deles e inversamente proporcional ao quadrado da distância que os separa.

Teoria Geral da Relatividade - É a teoria do espaço-tempo. Diz que as forças gravitacionais decorrem da curvatura do espaço-tempo ocasionada pela presença de massas. O espaço-tempo é plano onde não há forças gravitacionais e nele os corpos se movem em linha reta.

Espaço-tempo - Conceito elaborado por Einstein dentro da Teoria Geral da Relatividade. É o tecido do universo, em que o espaço tridimensional e o tempo formam um todo de quatro dimensões. O tempo não flui sempre de modo uniforme, como se imaginava. A matéria pode atuar sobre ele.

Onda gravitacional - É a que transmite energia por meio de deformações no espaço-tempo. A Teoria Geral da Relatividade diz que corpos massivos em aceleração podem causar o fenômeno, que se propaga à velocidade da luz.

Ano-luz - É a unidade de distância igual a 9,467305 x 10¹² km, que corresponde à distância percorrida pela luz, no vácuo, durante um ano.

Sinais - Joseph Taylor e Russell Hulse, astrofísicos norte-americanos, observaram indícios da existência de ondas gravitacionais ao estudar a movimentação de duas estrelas de nêutrons que apresentavam desaceleração correspondente à energia que, em tese, deviam perder com a emissão de ondas gravitacionais. Receberam o Nobel de Física em 1993.

Interferometria - Ciência e técnica da sobreposição de duas ou mais ondas, cujo resultado é uma nova e diferente onda. É usada em diferentes campos, como astronomia, oceanografia, sismologia, metrologia óptica, fibras ópticas e mecânica quântica.


Ego-Virgo/CNRS/AFP

Fonte: http://www.terra.com.br/revistaplaneta/edicoes/457/artigo190702-3.htm

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

São Paulo: mobilização contra o aumento da passagem


Repúdio
Policiais usam a truculência em manifestação pacifica contra o aumento da passagem em São Paulo

Confira o vídeo da truculência policial

O ato contra o aumento das passagens em São Paulo, que ocorreu nesta quinta-feira (13), foi marcado por violência e truculência policial.

Bombas de gás, balas de borracha e cacetes. Essa foi a resposta aos cerca de 700 manifestantes que, pacificamente, exigiam a revogação do reajuste da passagem.
A manifestação teve concentração por volta das 17h em frente ao Teatro Municipal. O ato convocado pela MLP (Movimento Passe Livre) contou a presença de representantes da CSP-Conlutas, Anel (Assembleia Nacional dos Estudantes Livre), além de partidos políticos, como PSTU e PCB.

Os manifestantes saíram em passeata pelas ruas e, muitos paulistanos, também indignados com este aumento abusivo, se somaram no protesto longo do percurso. Na Praça da Republica se instaurou a confusão. Segundo informações do estudante da Anel, Bruno Machion, 23, os manifestantes ocuparam duas faixas de uma das avenidas no entorno da praça. “Neste momento a policia começou ir para cima dos manifestantes. Foi uma violência gratuita, pois, mesmo após termos desocupado a pista, os policiais começarem a perseguir os manifestantes pelas ruas, atirar nas pessoas com balas de borracha e lançar bombas de gás lacrimogêneo”, disse.

Segundo o estudante, alguns manifestantes chegaram a ser hospitalizados. "Uma estudante que tentava tirar um morador de rua da confusão, levou um tiro de borracha na cabeça. Ela foi encaminha à Santa Casa e levou três pontos”, informou Machion dizendo que por sorte não aconteceu o pior.

Na ação, a polícia chegou a prender 31 manifestantes. A advogada da CSP-Conlutas foi acionada e interveio pela liberação dos estudantes, junto com outros advogados solidários ao movimento. Os estudantes foram liberados por volta da meia-noite.

O representante da Anel disse que mesmo diante desta forte repressão o movimento não se intimidará e prosseguirá. “Vamos fazer uma nova manifestação no dia 20 de janeiro na Avenida Paulista. Permaneceremos com nosso propósito de revogar este reajuste da passagem que é inadmissível. Chamamos a todas as entidades e organizações para fazemos um ato ainda maior”, finalizou.

Esta violência só comprova a política repressora e arbitrária dos governantes de São Paulo. Neste mesmo dia, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin havia recebido as centrais sindicais, a seu convite, para um café da manhã com o objetivo de estabelecer uma relação de diálogo com o os movimento sociais. À noite o que seu viu foi a política de repressão e violência promovidos pelo governo.

Repúdio: Nota da Anel contra a truculência da polícia

Grande ato contra o aumento da passagem em São Paulo termina com a truculência da PM

No fim da tarde de ontem, 13/01/11, centenas de jovens se concentravam no Teatro Municipal para dar início à manifestação contra o aumento da passagem em São Paulo. O ato estava sendo convocado há semanas pelas redes sociais na internet e havia uma grande expectativa sobre ele.

Cerca de 700 pessoas participaram da manifestação. A maioria, jovens, estudantes secundaristas e universitários. Mas havia também muitos trabalhadores acompanhando a manifestação.

Isso não é à toa. São Paulo possui hoje a tarifa de transporte público mais cara do país. Os custos do transporte público estão entre as maiores causas de evasão escolar. O aumento da tarifa tem como consequência o aumento do número de jovens que engordam a fatia dos que não tem acesso à educação e à cultura. Por outro lado, não é pequeno também o número de trabalhadores que andam grandes distâncias à pé para economizar o dinheiro do transporte. Em outras palavras, o aumento da tarifa é o aumento da exclusão social.

O prefeito Gilberto Kassab fecha os olhos a isso. Sua disposição é a de garantir os altos lucros das empresas de transporte.

Mas o ato de ontem reunia o grande sentimento de repúdio da população paulistana ao aumento do preço da passagem. Havia muita revolta, mas a manifestação era completamente pacífica, nossa revolta só era expressa nas faixas que segurávamos, denunciando o aumento, e nos gritos da manifestação. Nada justificava a ação truculenta, extremadamente violenta e exagerada por parte da PM.

Quando estávamos caminhando pela Avenida Ipiranga, ao longo da Praça da República, a manifestação pacífica, que queria apenas protestar contra o aumento e conversar com a população, foi duramente reprimida. A PM alegava que o combinado era que a manifestação terminasse ali, mas segundo o roteiro que estava em mãos do Tenente Siqueira, responsável pelo policiamento, o fim estava previsto para a Câmara Municipal.

A PM não hesitou em disparar, à queima-roupa, balas de borracha contra os manifestantes. Não hesitou em disparar bombas de gás, cujos estilhaços feriram dezenas de jovens. Mas o objetivo não era apenas dispersar a manifestação.

Se fosse isso, não haveria perseguição aos manifestantes, que corriam para fugir da violência policial. Se fosse isso, os jovens que se abrigaram em uma galeria, pensando que lá estariam seguros, não seriam surpreendidos pela PM invadindo a galeria, abrindo fogo contra eles e, assim, destruindo a galeria, quebrando vidros e a transformando numa praça de guerra. Se fosse isso, os 31 manifestantes que foram levados ao 3º DP não teriam sido agredidos gratuitamente com pontapés e socos dos policiais.

A verdadeira intenção da PM era outra. Era acabar com o ato por meio de uso descabido de violência. É por isso que na vigília que fizemos à noite em frente à delegacia podíamos ver bem claro as marcas da violência. Tivemos notícia de um manifestante que luxou o braço e, o que nos parece o caso mais grave, de uma manifestante que levou um tiro à queima-roupa na cabeça. A garota levou pontos na cabeça, mas poderia ter ocorrido algo mais grave.

Não esperávamos que o ano de 2011 começasse dessa forma. O nosso direito à manifestação foi simplesmente esquecido. Os policiais utilizaram todo o seu arsenal disponível para reprimir uma manifestação de 700 pessoas que andavam pelo centro da cidade de forma descontraída e pacífica. Não eram necessários esses métodos, agredir os estudantes com socos e pontapés, cassetetes, tiros e bombas. Não era necessário deter 31 estudantes, ameaçá-los, humilhá-los, fazê-los ficar sentados por horas na delegacia, somente para tomar seus nomes completos e endereços residenciais.

O desrespeito ao direito de manifestação, aos jovens manifestantes e mesmo à população que passava pelo local e que também teve que fugir das balas de borracha e do gás, esteve expresso na noite de ontem. Foi desnecessário a utilização da violência policial, ainda mais na medida em que foi utilizada.

Isso não nos intimidará. Lamentamos profundamente que essa seja a postura da Polícia Militar do Estado de São Paulo, mas continuaremos na mobilização para barrar esse aumento no preço da tarifa. Convocamos os estudantes e trabalhadores a comparecerem à manifestação programada para o próximo dia 20, às 17h na Praça do Ciclista (na esquina da Avenida Paulista com a Rua da Consolação). De nossa parte, seguimos colocando nossas forças para impulsionar essas manifestações e estaremos junto com os estudantes e trabalhadores na luta contra o aumento.

R$ 3 é um roubo!
Abaixo o aumento da tarifa!
Passe-Livre já para estudantes e desempregados!
Pela reestatização do sistema público de transporte!

ANEL-SP (Assembleia Nacional de Estudantes - Livre!)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Guia de aves Mata Atlântica Paulista

Capa do Guia de aves Mata Atlântica Paulista.

Capa do Guia de aves Mata Atlântica Paulista.


O Guia de aves Mata Atlântica Paulista, produzido pelo WWF-Brasil e pela Fundação Florestal do Estado de São Paulo com o apoio do HSBC, tem como objetivo incentivar a prática da observação de aves na bela região da Serra do Mar e Serra de Paranapiacaba. A obra foi pensada para ajudar todos os observadores, iniciantes ou mais experientes, a descobrir e desfrutar a riqueza multicolorida das aves dessas áreas protegidas.

A Mata Atlântica é uma das regiões com maior biodiversidade do mundo e também é muito rica em aves. Sua avifauna inclui mais de 600 espécies, das quais cerca de 160 são endêmicas, isto é, não existem em nenhum outro tipo de ambiente no mundo.

Este guia se refere às aves que vivem em ambientes serranos como florestas de encostas, topos de morros e campos de altitude; eventualmente podem ocorrer em cotas mais baixas. As unidades que protegem esses tipos de ambientes estão localizadas nas Serras do Mar e de Paranapiacaba, bem como em outras áreas serranas do Estado de São Paulo, como a Serra da Cantareira e o Maciço da Juréia. A região abriga o maior trecho contínuo de Mata Atlântica em todo o Brasil. Existem aí 32 unidades de conservação, onde as aves podem ser encontradas, dependendo do tipo de ambiente e de seu estado de conservação e recuperação.

Para baixar o guia, clique no link abaixo com o botão direito do mouse e selecione a opção "Salvar como...".

Download do Guia de Aves da Mata Atlântica Paulista .

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

MANIFESTO CONJUNTO DAS OPOSIÇÕES AO XXIII CONGRESSO DA APEOESP.

Em defesa da democracia na APEOESP

Mesmo em meio à grave crise educacional em que estamos metidos, a Articulação sindical pretende fazer com que o estatuto seja a pauta central desse congresso. As mudanças propostas pela Articulação objetivam aumentar o seu controle sobre o aparelho do sindicato e diminuir o espaço e a influência dos setores de oposição. Se as propostas forem aprovadas, haverá um retrocesso democrático na entidade que resultará em um enfraquecimento da APEOESP. O crescimento e o enraizamento da APEOESP se devem, em grande medida, à sua estrutura de funcionamento que permite incorporar as diversidades regionais e políticas presentes na categoria. Essa estrutura foi construída desde a vitória sobre os antigos pelegos na década de 70, passando pela formação das subsedes e chegando aos congressos de 2001 e de 2004, quando foram aprovadas a proporcionalidade na direção e a maior autonomia orçamentária para as subsedes. Importante destacar o papel democratizante que a Artinova cumpriu naqueles congressos.

Vejamos algumas propostas da Articulação e como elas ferem a democracia e enfraquecem a APEOESP:

Contra o Fim da autonomia das subsedes e outras mudanças antidemocrática.

O engessamento político e orçamentário das subsedes seria desastroso. A mobilização e a repercussão das pautas da APEOESP dependem fortemente do trabalho dos conselheiros que têm como suporte a estrutura regional. Quantas vezes as subsedes não têm de fazer seus próprios materiais, seja pelo sistemático atraso do material vindo da central, seja pela especificidade local?

Além disso é fundamental a realização de atividades e de lutas de abrangência regional. A sua efetivação, entretanto, é inviável se a subsede estiver submetida a um controle excessivamente centralizador. Mudar as eleições dos conselheiros do período de três anos é outro erro, porque prejudica a renovação da militância e empurra a acomodações e burocratizações.

A assembléia é o único fórum que não está sob o controle da Articulação, por isso a proposta de realizá-la de forma fechada. Somos um dos poucos sindicatos que fazem das nossas assembléias atos públicos, atos que têm visibilidade e capacidade de atrair a comunidade escolar e os setores da sociedade envolvidos com a defesa da educação pública. As assembléias de rua foram fundamentais para a construção da APEOESP e são parte viva da sua história. Sair das ruas e impedir a participação da sociedade é caminhar rumo ao isolamento. O estabelecimento da proporcionalidade na direção aumentou a sua legitimidade, assim com a escolha de pastas por meio da qualificação, o que divide responsabilidade. Pela proposta da Articulação poderíamos chegar a seguinte situação: Se uma chapa obtiver 50,01% dos votos, ela escolherá todos os cargos antes da chapa que obtiver 49,99%. É o fim da qualificação , o que concentraria poderes num só agrupamento e, na prática, esvaziaria a proporcionalidade. Esse esvaziamento desconstruiria a legitimidade da direção da APEOESP e poderia gerar instabilidade.

Rejeitar a regressão democrática na APEOESP e fortalecer a luta contra a tecnocracia na educação.

Para completar o quadro de regressão democrática há o artifício do “decurso do prazo”. Todas as mudanças propostas pela tese guia serão consideradas aprovadas caso não haja tempo de debatê-las. Trata-se de um mecanismo absolutamente autoritário. Algum professor aqui presente se submeteria se tal procedimento fosse utilizado no conselho de escola pela direção escolar?

Se as mudanças estatutárias antidemocráticas forem aprovadas, a APEOESP se enfraquecerá dificultando ainda mais a nossa luta contra as políticas educacionais tecnocráticas do governo. Rejeitar a regressão democrática é tarefa de todos os professores e todas as professoras independente da corrente da qual participam, que atuam por um sindicalismo combativo e democrático e se dedicam à construção da APEOESP em defesa do professorado e das educação pública.

Fonte: Oposição Unificada APEOESP

Veja o resumo das mudanças da TESE 1 (Tese Guia) (já aprovada 01.12.2010)

VIII - Alterações Estatutárias

Apresentamos algumas propostas de alterações estatutárias de forma tópica, sem preocupação com a redação final dos estatutos, como será apresentada diretamente ao Congresso:

• Ampliação da Executiva para 35 membros.

• Criação de novas secretarias.

• Alteração da periodicidade da eleição de conselheiros estaduais e regionais para três anos, juntamente com a eleição da diretoria.

• Alteração do método de composição da diretoria da entidade: a chapa vencedora escolhe todos os seus cargos de uma só vez.

• Assembleias em locais fechados, com verificação de holerites.

• Penalidades às subsedes que descumpram deliberações das instâncias do sindicato.

• Conselhos fiscais em todas as subsedes - penalidades às que não apresentam prestação de contas.

• Equacionar as omissões e contradições do estatuto.

Esta tese é assinada pela Articulação Sindical da APEOESP (Artsind-ArtNova)

Confira todas as teses clicando aqui