terça-feira, 16 de outubro de 2012

Dente de Sabre



Smilodon populator
 
© Mário Alberto 
Smilodon fatalis
© Ian Coleman
 

Nome científico: Smilodon populator, S. fatalis e S. gracilis(Dentes de faca). 
Tamanho: S. populator com 3 metros de comprimento, S. gracilis com 1,20 e S. fatalis, 2,50 metros.
Alimentação: carnívora.
Peso: S. populator cerca 500 Kg; S. fatalis 320 Kg. e S. gracilis com 80 Kg.
Viveu: América do Norte e América do Sul, achados no Brasil e Argentina.
Período: Pleistoceno e Holoceno, os mais antigos datam de 2.5 milhões de anos e o mais recente de 10 mil anos.
Onde o Smilodon viveu?
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O Smilodon não tem parentesco direto com os tigres, como sugere seu nome popular, "Tigre-dentes-de-sabre", pois pertence a uma subfamília de felinos extintos, conhecida como Machairodontinae, da qual não resta nenhum membro vivo atualmente. Todos os animais desta subfamília eram providos de caninos longos. Seu nome vem do grego, Smile faca de trinchar carne + Odontos dentes.
O primeiro fóssil descoberto foi encontrado no Brasil, na cidade de Lagoa Santa - Minas Gerais em 1941, pelo pesquisador dinamarquês Peter Wilhelm Lund (1801-1880).
O dinamarquês vivia no Brasil e pesquisava muito na região de Minas Gerais em busca de fósseis, quando finalmente encontrou em uma caverna o fóssil de Smilodon. Por este e outros achados hoje este homem é considerado o pai da pelontologia no Brasil.
Dentre todos os achados, foi possível definir três espécies diferentes desse felino, espécies que você conhece melhor abaixo.
Smilodon populator : É a maior espécie de Smilodon, podia atingir 3 metros de comprimento, 1,20 metro de altura com massa corporal de até 500 quilos. Viveu na América do Sul, sendo os fósseis encontrados em Minas Gerais, como mencionado antes e em São Paulo, assim como na Argentina. Seus caninos eram muito grandes, mediam em média 15 centímetros de comprimento, mas há fósseis que mediam até 18 centímetros. Viveu no Pleistoceno e Holoceno. 

Smilodon populator
© Felipe Alves Elias
Crânio de Smilodon populator
fóssil original na exposição Dinos na Oca em SP 
© Jorge Gonçalves de Macedo
Smilodon fatalis : Esta espécie tem duas subespécies de Smilodons, o Smilodon fatalis californicus e o Smilodon fatalis floridana. Esta espécie viveu no Pleistoceno e Holoceno também, porém era menor que o S. populator, chegava a medir 2,50 metros de comprimento e pesava em torno de 320 quilos. Viveu na América do Norte e do Sul.
Smilodon fatalis comparado a um homem
© Dan Reed 
Crânio de Smilodon fatalis na Dinos na Oca © Jorge Gonçalves de Macedo
Smilodon gracilis : Esta espécie é a mais antiga, viveu entre 2,5 milhões e 500 mil anos, é também a menor espécie conhecida, pesando em torno de 80 quilos apenas. Media somente 1,20 metros e provavelmente é um ancestral dos demais espécimes de Smilodon.

No tamanho, estes grandes predadores equivalem a leões e tigres, porém seu corpo era bem mais robusto, sua massa muscular era maior, principalmente nas pernas dianteiras e pescoço, deixando o animal com um porte semelhante ao de um urso do que de um felino.
Sua principal característica eram os caninos de aproximadamente 15 centímetros de comprimento, projetados para perfurar e ferir profundamente, quando o animal mordia a vítima.
Essas grandes "armas" não eram projetadas para rasgar carne, eram frágeis demais para tal empreitada, podendo quebrar-se durante uma mordida.
Sendo assim, este animal devia utilizar os caninos para perfurar veias do pescoço, como a jugular ou para perfurar a traqueia, aproveitando-se de sua capacidade de abrir a mandíbula em um ângulo de 120 graus, enquanto a abertura de mandíbula dos leões, por exemplo, chega a 65 graus.
Porém se comparada a mordida do Smilodon com de outros felinos de dentes de sabre, é mais fraca, talvez porque o Arco Zigomático desses carnívoros era menor que o dos felinos atuais. Este arco é um osso do rosto por qual passam músculos que ajudam a mover a mandíbula. Sendo menor, o osso não permitia que os músculos crescessem tanto e com isso a mordida seria mais fraca, calculada em aproximadamente um terço da força de uma dentada de um leão.
Então se analisarmos as forças de mordida de vários felinos dentes de sabre, parece que quanto maior os dentes caninos do felino, mais fraca é sua mordida.
O Smilodon desenvolveu pernas mais curtas, porém mais fortes e musculosas do que outros felinos, contendo nas patas dianteiras fortes músculos flexores e extensores, que permitiam ao animal segurar com força presas de grande porte.
Já as pernas traseiras eram dotadas de músculos adutores que ajudam a dar estabilidade ao perseguir uma presa. Como os demais felinos, o Smilodon devia ter garras retrateis.
O comportamento social desses felinos é desconhecido, mas os achados feitos em La Brea Tar Pits, na Califórnia, continham centenas de fósseis da espécie S. fatalis, o que pode sugerir que usavam o comportamento de ataque em bando, aproveitando para comer restos de animais mortos nas armadilhas naturais de piche, ou mesmo atacar animais vivos que ali ficavam presos ao tentar beber água. Uma sugestão é que eram atraídos pelos ruídos dos animais, que provavelmente gritavam ao tentar desatolar-se, uma característica de predadores sociais, que vivem em bandos, afirma Chris Carbone, da Sociedade de Zoologia de Londres, o qual fez pesquisas no Serengueti na África e constatou que somente carnívoros que caçam em bando acabam sendo atraídos por sons de animais presos ou machucados, tocados pelo pesquisador.
Talvez o "Dentes de Sabre" vivesse em bandos, caçando e levando a presa até o bando, e dividindo a comida. Além disso, alguns fósseis apresentavam sinais de doenças e ferimentos, mas que não mataram, ou seja, acabaram se curando. Para que um animal pudesse sobreviver machucado teria que comer presas de outros, pois não teria capacidade de caçar. Podemos supor que os mais fortes caçavam e os restos eram devorados pelos fracos e doentes. Seus dentes caninos ajudavam a afugentar possíveis competidores pela comida. Os machos e fêmeas eram do mesmo tamanho e ambos tinham presas.
Dentre as presas do Smilodon estavam ancestrais dos camelos atuais, cavalos, preguiças gigantes, cervos, mamutes, mastodontes e bisões.
Grandes felinos atuais costumam matar a vítima por estrangulamento, uma empreitada que leva vários minutos, no entanto os Smilodons não deviam fazer isso porque sua mordida não era tão forte.
Pesquisadores acham mais provável que estes animais usassem sua grande massa corporal, jogando seu peso e agarrando a vítima com força com as patas da frente, até derrubá-la no solo, onde poderia mais facilmente atacar sua jugular, cortando a veia ou atingindo a traqueia com os longos caninos, um método rápido, que não precisaria que o felino permanecesse mordendo a vítima por longos minutos. Outra possível arma do Smilodon pode ser sua pelagem, não se sabe exatamente a cor de seus pêlos, mas geralmente predadores deste tipo desenvolvem um padrão de camuflagem, que dá a eles o "elemento surpresa", que pode ser decisivo em um ataque. Segundo os líderes deste estudo, esta técnica pode ter tornado o Smilodon o felino mais eficaz em caçadas, principalmente de grandes presas, se comparado aos leões e tigres atuais. Mas tudo tem dois lados, assim é a técnica de caça do Smilodon, que acabaria ficando dependente do "suprimento" de grandes animais para sobreviver. Isto pode ter contribuído para sua extinção, já que com grandes caninos ficaria mais difícil de capturar presas pequenas e rápidas, que se desenvolviam em um ambiente em estada de mudança.
Em 2008, pesquisadores fizeram um novo estudo e afirmaram que o Smilodon realmente não tem nenhuma característica de caçador solitário, mas sim de caçador social, atacando em bandos como leões. Pensam também que as suas presas longas serviam mais para comportamento social e exibição sexual, para atrair parceiros, do que para caçar.
Estes felinos sumiram da face da terra por volta de 10.000 (dez mil) anos atrás, quando os humanos começavam a evoluir e tomar espaço, sugerindo que os mesmo podem ter ajudado a extinguir essa e outras espécies caçando. Porém alguns afirmam que o fim da era do gelo pode ter alterado radicalmente o clima e a vegetação afetando herbívoros e consequentemente os carnívoros como Smilodon, que acabaram extintos. Porém não faz muito sentido se levarmos em conta que esse animal e seus ancestrais, sobreviveram a mudanças de clima de eras interglaciais.
O Smilodon é um animal relativamente popular, conhecido mundialmente como o "Tigre-dentes-de-Sabre", por isso aparece em vários desenhos, séries e filmes. Uma série de filmes recentes em que o "gatão" é retratado é a animação A Era do Gelo, no qual é o personagem Diego. Também já filmaram um filme chamado Sabretooth (Dentes de Sabre), além de ser mostrado em documentários como Walking with Beasts da BBC e Prehistoric Park, onde Nigel Marven volta no tempo e resgata o animal para livrá-lo da extinção.
Smilodon populator de Walking with Beasts
© 
BBC 

Inclusive uma curiosidade interessante, é que o episódio onde retratam a vida dos "Tigres-dentes-de-Sabre" no documentárioWalking with Beasts da BBC, foi filmado no Brasil, na Chapada dos Veadeiros - Goiás. Confira as fotos da paisagem usada nas gravações. As fotos foram tiradas por Wilker de Almeida, irmão de um amigo, durante viagem na região. Compare a 1º foto da chapada com a foto de uma cena do documentário. 
Chapada dos Veadeiros - Goiás
© Wilker de AlmeidaChapada dos Veadeiros - Goiás
© Wilker de AlmeidaChapada dos Veadeiros - Goiás - Cena de Walking with Beasts
A ave Phorusrhacos observa mamíferos pastando
© BBC 

Também aparece na série de TV inglesa, Primeval, onde anomalias no tempo formam portais que permitem que animais do passado ou futuro viagem pelos portais. Em um episódio um destes grandes felinos acaba sendo trazido ao presente e a confusão gearada por ataques se torna um caos.
Também foi escolhido como mascote e símbolo do time de hockey Nashville Predators, da cidade de Nashville, onde foi encontrado um de seus fósseis durante a construção de um banco.

Fontes: 
  • Wikipedia
  • Carnivora Forum
  • Bichos, Os. São Paulo: Abril, 1972.
  • MENDES, Josué Camargo. Paleontologia Geral. 2. ed. Rio de Janeiro: Livros Téc. Científicos, 1982.
  • Prehistoric Cats and Prehistoric Cat-like Creatures. Disponível em:http://www.messybeast.com/cat-prehistory.htm. Acesso em dezembro de 2006.
  • RICHARDSON, Hazel. Dinosaurs and Prehistoric LifeLondon: Dorling Kindersley, 2003. 

Era Cenozóica

Dividida em dois Períodos distintos, o Período Terciário e o Período Quaternário, a sua principal característica é o surgimento de novas espécies depois do grande cataclismo (meteoro) que se abateu sobre a terra no final da Era Mesozóica e que teria sido o responsável pela extinção dos dinossauros que até então predominavam sobre a terra.

Entretanto, alguns seres sobreviveram ao período de escassez de comida que se estendeu até o início da Era Cenozóica, e foram evoluindo ao longo do tempo até ficar como os conhecemos hoje. A principal espécie a evoluir foi a dos mamíferos. Tanto é, que a Era Cenozóica às vezes é chamada de “Era dos mamíferos”, tal qual a Era Mesozóica com relação aos dinossauros. Mas a diversidade biológica deste período e a rápida evolução das espécies tornam injusta tal denominação.
O nome atribuído ao Período “Terciário” é um nome informal utilizado para denominar os Períodos oficiais denominadosPaleogeno e Neogeno, excluindo-se deste último as Épocas do Pleistoceno e Holoceno, que segundo a correspondência com a denominação informal, são conhecidos como Quaternário, indicando as Épocas mais recentes da cronologia geológica.
Utilizando-nos das denominações informais, o Período Terciário se estende desde 65 a 1,8 milhões de anos quando surgem os primeiros ancestrais do homem. O Terciário é dividido em cinco Épocas: o Paleoceno, de 65 a 54 milhões de anos, tem seu início marcado por uma grande regressão marinha, a Pangea já estava em um estágio avançado de divisão privilegiando a diferenciação endêmica das espécies; o Eoceno, de 54 a 33 milhões de anos, caracteriza-se por uma grande instabilidade tectônica e seu período se inicia com uma transgressão marítima (avanço do mar para o interior do continente); no Oligoceno, que se estendeu desde 33 a 23 milhões de anos, houve um progressivo resfriamento do mar em algumas regiões e, é nessa Época também, que começam a surgir os primeiros primatas; oMioceno, de 23 a 5 milhões de anos, caracteriza-se pela adaptação final de espécies marinhas como as focas, baleias, etc; e Plioceno, 5 a 1.8 milhões de anos, é a época onde se formaram o mar Negro, o mar Cáspio e o Mar de Aral depois da última transgressão marinha, glaciações são comuns nessa época que se encerra com o aparecimento do primeiro ancestral do homem.
Devido à grande diferenciação das espécies do Paleoceno, Eoceno e Oligoceno para o Mioceno e Plioceno, convencionou-se chamar às duas últimas Épocas de Neogeno, e às Épocas anteriores de Paleogeno.
O último Período da escala geológica, o Quaternário, se iniciou a 1.8 milhões de anos e dura até hoje. Dividido em duas Épocas, o Pleistoceno e o Holoceno, esse Período não difere muito do anterior sendo caracterizado por diversos períodos de glaciação intensa que alteraram, principalmente, a flora e, pela predominância de grandes mamíferos. Sua primeira Época, o Pleitstoceno (1.8 a 0.01 milhões de anos), caracteriza-se pelo surgimento do homem, mas, alguns cientistas discordam que essa característica seja suficiente para demarcar uma Época. O Holoceno não possui uma datação muito precisa, pois seu limite inferior se baseia no fim da última glaciação, porém, este foi gradativo ficando acordado, então, que esta Época tenha seu início há 10.000 anos.

Escala de tempo geologico


Escala de tempo geologico

Paleozoico  
• Cambriano
• Ordoviciano
• Siluriano
• Devoniano
• Carbonifero
• Permiano  
Mezozoico  
• triassico
• jurassico
• cretaceo  
Cenozoico  
• Paleogeno:
Paleoceno-Eoceno-Oligoceno
• Neogeno:
Mioceno-Plioceno-Pleistoceno-Holoceno

1. Paleozoico

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Durante esta era havia seis massas continentais principais, que conheceram montanhas enormes ao longo de suas margens, e incursões e recuos dos mares rasos através de seus interiores, como mares continentais.   O Paleozoico é conhecido por dois dos eventos mais importantes na história da vida animal. Em seu começo houve uma grande diversificação evolutiva dos animais, a explosão cambriana, em que quase todos os filos animais atuais e vários outros extintos apareceram dentro dos primeiros milhões dos anos. Já no extremo oposto do Paleozoico ocorreu aextinção maciça, a maior da história da vida na Terra, que extinguiu aproximadamente 90% de todas as espécies animais marinhas. As causas de ambos estes eventos ainda não são bem conhecidas. Também pode ser chamada de Era Primária     Muitas rochas paleozoicas são economicamente importantes. Por exemplo, rochas calcárias para finalidades industriais de construção civil, assim como os depósitos decarvão, que foram formadas durante o paleozoico.

Seres vivosa daquela epoca

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cambriano
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ordoviciano
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siluriano
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devoniano
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carbonifero
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permiano

2. Mezozoico

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No início desta era, toda a superfície terrestre se concentrava num único continente chamado Pangéia (ou Pangea).

Esta foi uma era onde dominaram répteis como os dinossauros,pterossauros e plesiossauros. Durante o Mesozóico estes animais conquistaram a Terra e desapareceram mais tarde de forma misteriosa, sendo a causa mais provável a colisão da terra com meteorito, sendo estimada como a segunda maior extinção em massa da terra. (A maior já estudada foi no final do pérmico, estima-se que tenha extinto 90% de todas as espécies que viviam na Terra.)

Os primeiros mamíferos se desenvolveram, apesar de não serem maiores que ratos. As primeiras aves apareceram durante o Jurássico, e embora a sua descendência seja motivo de grande discussão entre os cientistas, grande parte aceita que tenham origem nos dinossauros. As primeiras flores(Angiospérmicas) apareceram durante o período Cretáceo.

Seres vivosa daquela epoca

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triassico
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jurassico
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cretaceo

3. Cenozoico

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Era Cenozóica marca a abertura do capítulo mais recente da história daTerra. O nome desta era provém de duas palavras gregas que significavam "vida recente". Houve muita atividade vulcânica e formaram-se os grandes maciços montanhosos do mundo.  A vida animal transformou-se lentamente no que hoje se conhece.

Seres vivos daquela epoca

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                          Paleogeno: Homo sapiens    
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Neogeno: Homo sapiens sapiens
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Neogeno: animais

Era Cenozóica

A Era Cenozóica é a Era em que Vivemos. Depois da Extinção dos Dinossauros, os Mamíferos Dominaram a paisagem e evoluiram até os seres humanos. Se divide em Dois Períodos entre eles:

Terciário: Vai de 65 até 3 milhões de anos atrás. Foi nesse período Que os mamíferos evoluiram para formas maiores, substituindo os Dinossauros. Se divido em 5 Épocas, dentre elas: Paleoceno, Eoceno, Oligoceno, Mioceno e Plioceno. Abaixo vemos fotos dos animais e do ambiente conforme as épocas do Período Terciário:

Paleoceno:
Eoceno:
Oligoceno:
Mioceno:
Plioceno:
Quaternário: Vai de 3 milhões de anos atrás até hoje. Os Mamíferos Atingiram o seu auge. Foi marcada por uma era glacial que acabou mais oumenos 10.000 anos atrás. se divide em duas épocas, Pleistoceno e Holoceno. Abaixo vemos fotos dos animais e do ambiente das Épocas do Períoto Quaternário: 

Pleistoceno:
Holoceno: 
Fonte: 
http://brunochavesanimais.blogspot.com.br

História evolutiva dos mamíferos sul-americanos


História evolutiva dos mamíferos sul-americanos

Postado por Evolução Em Foco 

Por Rômulo Carleial
Era uma vez, uma ilha muito e muito distante. Bom não tão distante na verdade, uma vez que estou me referindo à América do Sul ( se você não sabia que a A. do Sul é o seu continente, sugiro que feche este site, incinere seu computador e vá ler uma enciclopédia ).
Brincadeiras à parte, este texto tentará contar uma história. Só que diferentemente de Rapunzel e outros contos da Disney, a nossa aconteceu à aproximadamente 65 milhões de anos atrás (m.a.a) e os personagens principais são os mamíferos.
Atualmente o nosso continente é um dos mais ricos em diversidade destes animais mas a maioria de nós não faz a menor idéia da procedência dos diversos grupos. Estamos tão acostumados com nossos felídeos e canídeos, por exemplo, que poderíamos dizer que eles estão por aí a um tempo bastante longo. Essa história pretende desmentir alguns dados e acrescentar outros.
Primeiramente acho justo relembrarmos que nossos personagens surgiram no final do Triássico à aproximadamente 220 m.a.a, derivados de linhagens de répteis sinápsidos e eram conteporâneos dos saudosos dinossauros. Talvez pelo amplo sucesso deste último grupo e à ocupação ampla de nichos, nossos mamíferos eram, em sua maioria, de tamanho reduzido, noturnos e esquivos. Agora, devidamente situados sobre nosso grupo de análise, podemos continuar nossa narrativa histórica.
“Oprimidos” pela diversificação dos Dinossauria e outros répteis, os mamíferos diversificaram muito pouco nos 140m.a.a que se passaram até a extinção daqueles grupos à aproximadamente 65 m.a.a. Este texto não tem como objetivo revisar todos os capítulos da evolução dos mamíferos e muito menos todos os grupos viventes. Estamos interessados nos “latinos” ou seja, aqueles que habitavam o nosso continente.
Mais uma vez sou obrigado a lembrar os leitores que os continentes não eram exatamente iguais ao que temos hoje. No período do surgimento dos mamíferos e dinossauros, existia um super continente chamado Pangéia [Fig.1], que posteriormente se dividiu em duas grandes massas de terra ( Laurásia e Gondwana ) [Fig.2]. Este dado é importante porque muitos grupos foram isolados uns dos outros por milhões de anos, cada um em um continente, gerando linhagens completamente diferentes. À seguir, vou disponibilizar mapas da Terra, do Triássico até o Eoceno, e gostaria que o leitor sempre voltasse à eles para se situar na nossa narrativa:
( tatus, tamanduás e preguiças atuais )
Fig 1 – Triássico Médio ( 220 m.a.a ) – A terra era constituída por apenas um super continente, a Pangéia.
Fig.2 – Jurássico superior ( 150 m.a.a ) – Dois super continentes são agora visíveis: Laurásia, ao norte e Gondwana, ao sul.
Fig.3 – Cretácio médio ( 105 m.a.a ) – América do Sul ( nossa área de interesse ) se separa da África, mas ainda estava conectada à Antártica e Austrália.
Fig.4 – Cretácio superior ( 65 m.a.a ) – A América do Sul agora é constituída por duas províncias e deixa de se conectar à Austrália, mas não à Antártica.
Fig.5 – Eoceno superior ( 35 m.a.a ) – A América do Sul deixa de se conectar à Antártica e fica completamente isolada.
A nossa história começa no final do Cretáceo, quando a A. do Sul ainda se conectava à Antártica e Austrália, e seus habitantes eram constituídos de mamíferos de origem Gondwânica ( e outros clados é claro ). Sabemos disso porque nos últimos milhões de anos, o sul e o norte do globo estavam separados nos dois super continentes e as linhagens de mamíferos diversificaram de maneira diferente em ambos os hemisférios.
Neste cenário citado acima, a A. do Sul era dividida em duas províncias distintas: nord-gondwanienne e sud-gondwanienne ( não encontrei nenhuma tradução ), e nelas habitavam os mamíferos não – Therios ( aqueles que não são marsupiais nem placentários, embora dois grupos Therios citados mais abaixo ainda permanecem com sua origem duvidosa) como, por exemplo, a espécie Gondwanatherium patagonicum [Fig.6].
Fig.6
Porém, estes animais tem papel secundário em nossa história, pois os grupos atuais de mamíferos sul americanos são provavelmente derivados de animais de origem da Laurásia, exceto talvez os Xenarthra ( tatus, tamanduás e preguiças atuais ) que não tem sua filogenia bem definida, já que os fósseis são raros e ausentes no Cretáceo.       Seguindo esta linha de racíocinio, os primeiros fósseis de Therios encontrados da A. do Sul, datam do Cretáceo superior e representam a primeira incursão de mamíferos da Laurásia a chegarem no nosso continente. Estes grupos eram os ancestrais dos atuais marsupiais e clados como Condylartha (ungulado). Após chegarem no nosso continente, um grupo específico de marsupiais, ancestrais dos atuais Microbiotheria, colonizaram a Austrália passando pela Antártica, dando origem aos marsupiais que hoje lá habitam ( embora ainda não esteja claro que os Microbiotheria sejam de origem norte-americana ou se eram habitantes sul americanos). E neste mesmo período, o primeiro mamífero de origem australiana (não-Therio) foi encontrado na america do sul, pertencente ao grupo hoje representado pelos ornitorrincos. [Fig.7].
Fig.7 – A figura mostra a dispersão dos ancestrais do grupos em destaque ( círculos negros ), entre 85 e 65 m.a.a. O círculo cinza, representa um grupo de mamíferos de origem Gondwânica que persistia nesse período, representado pela espécie Sudamerica ameguinoi. Como evidenciado, os ancestrais dos Microbiotheria colonizaram a Austrália, dando origem a grupos como os Thylacinideos atuais. Neste mesmo período, a A. do sul recebeu o primeiro imigrante australiano, o o monotremata Monotrematum sudamericanum.
À partir desse período, principalmente após a extinção dos dinossauros e outros répteis no fim do Cretáceo ( 65 m.a.a ), os mamíferos começaram a se diversificar de maneira acelerada. Na A. do Sul, no início do Paleoceno até o Eoceno ( 65 – 34 m.a.a ) basicamente se encontravam grupos que G. Simpson ( paleontólogo americano ) chamava de, “três estoques genéticos distintos” : Marsupialia, Xenarthra e os Ungulados. Muitos grupos evoluiram se tornando endêmicos deste continente, principalmente os Ungulados ( grupo artificial ) constituído por diferentes ordens como Astrapotheria, Pyrotheria, Notoungulata e Litopterna [Fig.8]. A situação filogenética desses grupos é extremamente confusa e enigmática, sendo provavelmente clados derivados de ungulados Therios norte americanos, como os Condylathra. Todos se encontram extintos atualmente.
Fig.8 – Herbívoros endêmicos sul-americanos, agora extintos. Os quatro taxa representados são: (a) Litopterna ( Paleoceno – Pleistoceno ); (b) Notoungulata   ( Paleoceno – Pleistoceno ); (c) Pyrotheria ( Eoceno – Oligoceno ); (d) Astrapotheria ( Paleoceno – Mioceno ). Esses animais com cascos desenvolveram adaptações ecológicas muito similares aos clados distantemente aparentados da América do Norte. A relação filogenética desses táxons é confusa e nenhum destes representa um grupo monofilético.
Posteriormente na passagem do Eoceno para o Oligoceno ( ~ 34 m.a.a ) ocorreram dois eventos importantes para nossa história:
(1) – Devido a mudanças climáticas e ambientais, relacionadas à uma série de fenômenos geotectônicos ( como a separação da A. do Sul e Antártica, gerando mudança nas correntes oceânicas, por exemplo ) observou-se uma grande mudança no aparelho mastigatório dos grupos herbívoros citados acima. As linhagens anteriores eram praticamente consituídas por animais Braquiodontes ( coroa dentária baixa ) e foram substituídas por linhagens derivadas de animais Hipsodontes (coroa dentária alta ). Isso se deve ao fato, que os dentes hipsodontes são mais resistente à desgaste, e foram selecionados uma vez que o ambiente neste período mudou drasticamente: muitas florestas tropicais, que não toleram climas muito frios, foram substituídas por savanas. Estas são constituídas praticamente por gramíneas, muito abrasivas aos dentes, tanto pela sua constituição intrinsíca, como pelo fato de acumularem partículas de poeira e sedimentos.
(2) – São encontrados os primeiros fósseis de ancestrais dos Primatas Platyrrhini ( macacos do novo mundo ) e Roedores caviomorfos ( capivaras e cutias atuais ). A explicação mais aceita atualmente é que estes grupos vieram da África, embora a distância entre os dois continentes fosse de 1400km na época. Outras rotas mais plausíveis foram sugeridas, mas através de anatomia comparada, ficou claro que os animais da América do Sul são mais similares filogeneticamente aos clados africanos. A maneira de como estes se dispersaram ainda é um mistério.[Fig.9].
Fig.9 – Praticamente coincidindo com a separação da A. do sul e Antártica ( 30 m.a.a ) roedores não cricetídeos e primatas imigraram da África pelo mar.
Após a separação da Antártica e América do Sul, na passagem do Eoceno para o Oligoceno, temos o período que é considerado o mais autoctóno do nosso continente, uma vez que se encontrava completamente isolado, como uma ilha. Como sabemos que ilhas são sujeitas a uma grande taxa de divergência e endemismo ( ler o texto do Rafael sobre o dodô ), diversos grupos se derivaram nessa época como o marsupial Groeberrid, os xenarthros Dasypodidae ( grupo que ainda existe atualmente ), diversos notoungulados e muitos outros[Fig.10]. Além disso, diversos grupos de animais alcancaram tamanhos impressionantes como as preguiças gigantes Megatherium ( 5m de altura ) e alguns roedores que ultrapassavam os 500kg. Este conjunto de animais são chamados hoje de “Megafauna”, e alguns sobreviveram até o final do Pleistoceno ( 10.000 anos atrás).
Fig.10 – Alguns dos grupos que derivaram no período autóctono do nosso continente, que durou de 30 à 4 m.a.a.
Antes que cheguemos em um dos mais curiosos aspectos de nossa história, o grande intercâmbio americano (GIA), é preciso relembrar que após as primeiras incursões de mamíferos Therios no final do cretáceo, nosso continente não mais teve acesso aos animais norte americanos e vice versa. Porém, embora o istmo do panamá ainda não estivesse ligando os dois continentes no Mioceno ( 23 – 5 maa ), são encontrados fósseis do grupo dos Procyonidae ( quatis e mão-peladas atuais) e um registro de mastodontes na A. do Sul. E paralelamente, fósseis de Xenarthra ( principalmente preguiças gigantes) e roedores Dynomideos são encontrados no Caribe e outras ilhas. Estas ocorrências e algumas evidências geológicas, sugerem que antes da completa formação do istmo do panamá e do GIA ( ~ 4 m.a.a ) o nível do mar diminuiu gerando uma ponte temporária entre os dois continentes o que justificaria a presença destes grupos fora do seu local de origem. Isso é praticamente certo para os Mastodontes, embora talvez os demais grupos tenham migrado pelo mar, como “island hoppers”.
Como vimos, durante grande parte do tempo que nosso continente existiu, ele era constituído por apenas marsupiais, ungulados e xenarthros. Posteriormente, primatas e roedores caviomorfos chegaram da África pelo mar e Procyonideos e um grupo de mastodontes ( com fósseis encontrados na região amazônica ) chegaram “por acaso” da américa do norte. Assim sendo, até o meio do Plioceno ( ~ 4 m.a.a ), diversos grupos tão familiares de nossa fauna, como os canídeos, felídeos, artiodáctilos dentre outros, não ocorriam na A. do Sul. De onde eles vieram?
A reposta encontra-se no já citado istmo do panamá, que passou a ligar, definitivamente, a A. do Norte e Sul aproximadamente a 4 m.a.a e caracterizou o evento conhecido como GAI. Diversos grupos de mamíferos migraram de um continente para o outro, embora aqueles provenientes da A. do Norte tenham sido mais diversos ( estes grupos estão evidenciados na Fig.11 ). Obviamente nem todos os grupos migraram simultaneamente, tendo essa diversificação ocorrido desde a formação do istmo até o final do Pleistoceno 10 mil anos atrás.
Vale ressaltar, que alguns autores atribuem a grande quantidade de extinções de mamíferos endêmicos da A. do Sul no Pleistoceno, por competição com os recém chegados mamíferos norte americanos. Embora tenha havido uma queda dos gêneros nativos durante o intercâmbio [Fig.11], é sabido que diversas linhagens já se encontravam extintas ou em processo de extinção, devido à diversas mudanças climáticas e bióticas gerada por diferentes fatores, desde a elevação da cadeia dos Andes até as glaciações que modificaram a altura do nível do mar. Uma evidência que sugere que as extinções ocorridas aqui não foram um episódio local, é que no final do Pleistoceno, toda a Megafauna [ mamíferos com mais de 1tonelada ( disponibilizei imagens de alguns deles ao final do texto, para os curiosos) ] americana e em diversos lugares do globo foram extintas. Até mesmo alguns grupos invasores do norte acabaram por se extinguir durante o Pleistoceno – Holoceno como os mastodontes, tigres dente de sabre, equinos e diversos ursídeos.
A teoria mais aceita dessa extinção global é o que chamamos de zigue – zague interrompido. Quando ocorrem glaciações ( e elas foram muitas no Pleistoceno ), diversos fatores, como a queda da temperatura, influenciam a vegetação nativa. Como ja foi dito anteriormente, florestas tropicais se retraem com a queda da temperatura, e o contrário ocorre com ambientes mais secos como desertos e savanas. As faunas de hábitat florestal então, se reduzem a números muito baixos durante glaciacões ( por perda de hábitat, competição etc ) enquanto que as de savana proliferam. Porém, ao final da glaciação a elevação da temperatura e outros fatores, geram o efeito contrário: florestas expandem e savanas retraem o mesmo ocorrendo com a fauna. Este efeito é o chamado “zigue – zague”. Porém, algum fator deve ter “interrompido” esse efeito, gerando o “zigue- zague interrompido”: faunas que se encontravam reduzidas devido ao encolhimento do hábitat, sofreram alguma pressão e não conseguiram se recuperar no intervalo do evento. Não se sabe ao certo que afetou as populações fragilizadas, embora o homem seja apontado como um dos responsáveis ( esse dado ainda é muito questionável ).Ainda assim, dos “antigos habitantes” sul americanos nos restaram apenas os marsupiais e xenarthras e todo o resto são constituidos por clados provenientes da América do Norte.
Como vimos, diversos grupos de animais tão familiares em nosso convívio estão aqui a muito pouco tempo, sendo as linhagens mais velhas praticamente ignoradas por nós ( quantos estão familiarizados com preguiças e tamanduás?). E com essa informação, concluo a curiosa história dos mamíferos sul – americanos e espero que a leitura, embora extensa, tenha elucidado aspectos de nossa fauna Mammalia atual.
Rômulo Carleial,
Laboratório de Paleozoologia – UFMG
Apêndice – Imagens de alguns grupos da Megafauna Pleistocênica Sul – Americana:
Um Gliptodonte, do grupo dos tatus atuais.
Megatherium, uma preguiça de 5 metros.
Um Toxodon, notoungulata de mais de 1ton.
Uma Macrauchenia, litopterna.
Cuvieronius humboldti, mastodonte de 7t.

As teorias sobre a origem do homem


As teorias sobre a origem do homem

As teorias sobre a origem do homem:

· Teoria criacionista – Até o século XIX (e ainda forte muito hoje na mentalidade popular) prevaleceu à concepção de que Deus criou o mundo, narrada na Bíblia, no livro do Gênesis.

· Teoria evolucionista – No século XIX, Charles Darwin publica o seu livro “A origem das espécies” (1859) abalando a concepção criacionista. De acordo com Darwin os seres vivos evoluíram ao longo de milhões de anos de acordo com um processo que ele chamou de “seleção natural”, onde os mais adaptados ao meio ambiente conseguem sobreviver. 

· Big Bang – Seguindo a linhas das teorias científicas, por volta de 1930, Georges-Henri Lemaître afirmou que o universo possuía entre 10 a 20 bilhões de anos e teria sido originado da explosão de um átomo. A Terra (que teria surgido há cerca de 5 bilhões de anos), diferentemente da teoria criacionista, seria apenas um planeta dentre incontáveis planetas existentes no universo.

E possível também fazer uma breve descrição do desenvolvimento do planeta Terra: 

· Era primitiva – Por volta de um bilhão de anos atrás se formaram no planeta Terra os oceanos e as cadeias montanhosas, com as primeiras formas de vida (algas e bactérias). 

· Era primária – Por volta de 300 milhões de anos surgiram às florestas, insetos, répteis e peixes. 

· Era secundária – Por volta de 150 milhões de anos atrás surgiram os mamíferos, as aves e os grandes répteis (os famosos dinossauros). 

· Era terciária – Os primeiros hominídeos surgiram somente a 4 milhões de anos, sendo que o mais antigo é o Australopithecus. 


· Era quaternária – 
Durante a era quaternária (que começou a cerca de 1 milhões de anos atrás; ocorreu o surgimento do gênero Homo, entre 200 e 100 mil anos atrás). As primeiras evidencias tanto do Austrolpithecus como do Homo foram encontradas na África.
 
· Paleolítico (Idade da Pedra Lascada, entre 100 mil e 10 mil a.C.) 
 
Homo erectus – bípede, se mantinha ereto, fazia utensílios de pedra e madeira, pinturas rupestres e enterrava os mortos. 

 
Homo neanderthalensis – controle do fogo. 

· 
Neolítico (Idade da Pedra Polida, a partir de 10 mil a.C.) – Homo sapiens: arco e flecha, embarcações, cerâmica, tecelagem, polimento da pedra.